Pela falta de tempo , ou porque simplesmente , não me apetecia . Às vezes sou assim . Arredo -me de certas coisas , mesmo daquelas que gosto , porque preciso , porque tenho essa necessidade . Depois regresso , como se nada fosse , como se tempo algum tivesse passado , desse arredo natural e propositado . Volto , porque lhe sinto a falta , ou tão só , porque me apetece .
Hoje , voltei.
Porque me apeteceu , e porque senti falta .
E escrevi palavras soltas , aquelas que me apeteceram no momento , através das curtas teclas do ecrã do meu telemóvel ( isto não são teclas , é apenas um vidro táctil ), e depois irritei-me , porque me irritam as tecnologias , e não conseguia alinhar o texto, e não conseguia alterar o tipo de letra ( embiquei com o arial, como quem embica com um único par de jeans, apesar das dezenas que permanecem renegadas no roupeiro porque não caem tão bem , quanto aquelas ), e não conseguia anexar uma foto, e logo agora , que de férias, uma pessoa até podia postar umas paisagens jeitosas ( que fica sempre bem ).
E depois das curtas palavras , que fui despejando ao acaso , senti falta de visitar todos os reinos vizinhos que visito regularmente . Senti falta da Uva, que às vezes me dá as notícias do dia , mesmo antes de as ver noutros meios de comunicação social , senti falta das incursões ao supermercado da Linda Porca , senti falta das frases poéticas da Maria Eu, senti falta da L das horas e de saber como está, da Sci, da Alice, da São e de saber o que anda por aí a experimentar, das Ninas, da Gaja Maria e suas pedaladas , da avó Gi, da Vania, e de tantos outros reinos, que acompanho como se fôssemos amigos , ainda que não lhes conheça a cara, ainda que tenha levado anos , relutante em relação a este mundo, que é o virtual ( passinhos pequenos , na tecnologia que tanto me irrita ).
Depois tentei. Bem ditos três euros para passar os míseros duzentos megas a um fantástico giga, e vamos a isto - pensei. Depois a rede não é fantástica. E uma pessoa fica a olhar para a linha no topo do ecrã, enquanto o sol lhe escalda as costas. E a linha chega ao fim . E uma pessoa tenta ler, e amplia o ecrã , não que tenha falta de vista , que isso já me avisaram que é a partir dos quarenta , e os meus são ainda frescos como uma alface ( embora pensando bem , daqui a nada já vou no enta e um, que os meses passam a correr, e já lá vai meio ano, desde essa entrada na ternura dos entas), mas porque o ecrã é efectivamente pequeno, porque o sol é efectivamente ofuscante, porque a net voltou a ficar lenta, e porque , afinal de contas estou na praia e não se pode exigir mais. Então desisti. Agarrei no livro , aquele em papel, tecnologia do antigamente , e debrucei-me sob ele, deixando os reinos vizinhos para o meu regresso. Que é daqui a quinze dias. E passa num abrir e fechar de olhos, que o que é bom, acaba-se depressa.


