sexta-feira, 15 de maio de 2015

Há lá coisa mai linda?

-Aiii...Que horas são?
- Onze e meia!

- Ohh... Leva-me contigo...
- P'rá onde?


- P'ra dançar na praia
- Só contigo?
- Simmmm, comigo. Dançar na praia, rolar no chão...

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Alterações

"Vou fazer umas alterações no meu terraço" , disse-lhe. 

Adoro alterações, e se pudesse estava sempre a alterar. No que à decoração diz respeito, note-se. Ela olhou para mim, olhou para o terraço e suspirou. Manias, deve ter pensado.

Acabei de lhe dizer que as alterações estão concluídas e pode vir verificar. E que o meu terraço já parece outro. Suspirou. Chata, deve ter pensado.
Afinal, só destituí uma planta que estava a ficar a modos que feiosa, e plantei uma hortênsia no seu lugar. Quando ela vir, aposto que vai suspirar. Completamente chanfrada, vai na certa pensar.
Mas a mim, já me parece outro.


Pé de orelha

Deve ter sido há mais ou menos um ano atrás, que o miúdo me veio com esta conversa.
Foi na altura em que a irmã se debatia com a escolha do curso, para o 10º ano. Perguntei-lhe se ele, já tinha pensado nisso, embora soubesse que tinha ainda uns anos para pensar no assunto.


- não mãe, nunca pensei muito nisso, porque eu nem vou fazer o 12º...


Por instantes senti uma apoplexia. Depois recompus-me, e achei que podia ser uma brincadeira.
 
- não mãe, não estou a brincar. É mais ou menos nessa altura que os grandes clubes vêm buscar os grandes jogadores, e eu depois nessa altura não vou ter tempo para grandes estudos...


Tivemos logo ali um pé de orelha. Eu dei o pé. Ele deu a orelha. 

Ontem, a caminho do treino, e um ano volvido, voltámos a falar sobre o assunto.


- Olha mãe, eu sei que tenho de estudar. Eu sei que ser jogador de futebol profissional é muito difícil. Vocês já me explicaram isso tudo. Eu sei. Mas eu quero mesmo, sabes? Eu não me imagino a fazer mais nada. E eu vou estudar, mas o que eu quero é mesmo isto. E por exemplo, vê lá se percebes, eu tenho muitos amigos que jogam comigo, e todos dizem que querem ser jogadores de futebol, mas eu depois vejo o comportamento deles nos treinos e nos jogos, e vou-te dizer, querer... querer... quase nenhum quer, na verdade. Acho que de todos, aqueles que querem mesmo, sou eu e outro. Querer, mesmo a sério, 'tás a ver? Querer com força. É isso. É o que eu quero, e ninguém me vai tirar isso da cabeça. E eu vou esforçar-me sempre bué para conseguir. 


Foi o nosso pé de orelha. Ele deu o pé. Eu dei a orelha.

terça-feira, 12 de maio de 2015

Velhice Radical

Eu lembro-me, que quando a minha mãe se divorciou, eu pensei que ela era velha e nunca mais na vida ia arranjar ninguém. A minha mãe tinha quarenta e dois anos (42, entenda-se bem), e eu achava que ela estava velha. Na verdade, nunca arranjou ninguém, mas sei hoje que não foi por ser velha, porque eu no alto dos meus recém chegados entas, me sinto uma jovem, e longe, muito looooonge de ser velha. 

 
Hoje, vinha no elevador com as miúdas (a minha e a amiga), e uma delas deu um grito :

 
- Tu nem imaginas o que é que aconteceu hoje! - Mas foi um grito tão alto, e tão histérico (e tão próprio desta idade), que eu até saltei para trás com o coração preso na traqueia.

 
- Nós hoje descobrimos que o prof de filosofia tem uma double life! - Numa fracção de segundos imaginei mil cenários para esta descoberta. Todos aqueles maléficos, que uma mãe imagina, ainda para mais, dado o aparato do histerismo.
A medo, perguntei:

 
- O que é que descobriram?

 
Atropelavam-se as duas, completamente exaltadas, excitadas, com aquilo que tinham acabado de descobrir acerca do prof de filosofia. Em resumo foi isto : O homem faz surf. O homem faz skate. O homem vai para o alentejo surfar desde pequeno. O homem vai aos fins de semana para o skate parque, com os amigos. O homem aos fins de semana anda de ténis de uma marca xpto (que não decorei, tal o espanto com que ouvi tamanha revelação), e anda de calças balão. O homem teve em tempos o cabelo comprido. O homem faz maratonas, e até veio lesionado da última maratona em Madrid. 

 
Em suma, o homem tem uma vida, para além de ser professor. Mas não só tem uma vida, como tem uma vida a modos que radical. 

 
- Mas foi só isso que vocês descobriram? 
- Foi. Não achas o máximo?
- Sim, é de facto inacreditável - respondo ironicamente - E quantos anos é que ele tem?
- Não sei mãe, mas deve ter pouco menos do que tu... Uns trinta e sete, trinta e oito...

 
Está explicado. Afinal, as miúdas tinham razão para tanto histerismo. O homem está velho, não se percebe como é que consegue tanta proeza... 

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Enguia

A miúda jantou em casa de uma amiga, na véspera do seu aniversário.

- oh mãe, nem acredito que a minha última refeição antes de fazer dezasseis anos, foi pescada com batata cozida.

Quase que me benzi, minha rica filha, pescada com batata cozida é coisa não entra nesta casa desde que eles eram bebés e não opinavam acerca do menu. Quando muito, cuspiam, em sinal de protesto. 

- oh filha... a sério? deixa lá. 
- oh mãe, mas sabes que até me soube bem? andava com muitas saudades de comer peixe. nunca mais fizeste peixe cá em casa...
- nunca mais fiz peixe? então esta semana já fiz bacalhau, e já fiz salmão!
- não...eu estou a falar de peixe grelhado... por exemplo, nunca mais fizeste enguia, e aquilo é tão bom! tenho mesmo saudades de enguia!

Eu, que ainda não lhe tinha comprado o presente de aniversário, fiquei a pensar seriamente em passar no mercado, no dia seguinte, e embrulhar-lhe um peixe espada bem fresquinho para lhe oferecer. Nunca mais na vida ia confundir um peixe espada, com uma enguia, na certa...  É que nunca pus os cotos numa enguia, quanto mais os dentes...

Só que não. Em vez disso, ofereci-lhe um bikini lindo de morrer, que lhe fica a matar, o anzol perfeito para ela pescar um peixe espada(údo) ou quiçá uma valente enguia. Um erro. Um tremendo erro. 

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Sweet Sixteen

A minha miúda fez dezasseis anos.
Depois  das indecisões relativamente a uma possível festa, ainda me diz que o habitual jantar que preparo no próprio dia, não pode ser com muitos convidados, porque tem teste no dia seguinte e "faz uma coisa pequena, ok?". Perante a responsabilidade demonstrada, cedo. Convido um grupo restrito, família mais chegada, dois casais amigos. Coisa pouca.
Mas a melhor amiga decide organizar uma surpresa e pede a minha ajuda. Convidar os amigos mais chegados a aparecerem de surpresa para jantar. Perante o empenho demonstrado, cedo. De um grupo restrito, passamos a ter mais dez. Depois penso, que de restrito já não tem nada e decido convidar mais umas quantas pessoas que tinha inicialmente em mente. E de coisa pouca, passou a coisa muita.
E a surpresa foi tal, que quando os amigos entraram porta dentro, com dois balões e um magnífico bolo na mão, achei que todo o sangue da miúda se lhe tinha concentrado na face. E ela estava feliz,e não há nada mais gratificante do que ver o sorriso de felicidade estampado no rosto de um filho...

E em modo repost, o que escrevi o ano passado, porque continua a iluminar a minha vida...

Minha querida filha,
Fez ontem dezasseis anos. Fez ontem dezasseis anos que trouxeste luz à minha vida.
Não posso dizer que ainda me parece que foi ontem, porque não me parece. Não é essa a sensação que tenho, quando olho para trás e penso nos dezasseis anos volvidos.
Olho para trás e penso que era uma miúda, ainda.
Uma gravidez não planeada, uma série de acontecimentos novos na minha vida. Tudo de enxurrada. Recordo-me que embora fosse uma experiência totalmente nova e inesperada, vivi a gravidez de uma forma tranquila, sem grandes questões, inseguranças ou medos. Recordo-me de o pai, me ter oferecido uns quantos livros de puericultura, quiçá na esperança que eu me debruçasse sobre os mesmos, quiçá na inquietude da nossa inexperiente juventude.
Os livros, esses, permaneceram intactos sem que lhes tivesse prestado qualquer atenção. A minha serenidade, levava-me a crer que a maternidade era uma coisa intuitiva, e eu saberia cuidar do meu bebé sem o uso dos manuais. Afinal, eu tinha um trabalho de alguma responsabilidade, a faculdade à noite, e outros manuais com que me debruçar.
Esta minha serenidade e intuição, levaram-me a crer inicialmente que tu serias um rapaz. Não que tivesse preferência no sexo, mas era uma intuição. Uma intuição falhada, soube alguns meses mais tarde.
Recordo-me que faltava muito pouco tempo para tu nasceres, quando sonhei contigo pela primeira vez. Sonhei que te tinha nos braços, e que eras loirinha de olhos azuis. E fiquei com a convicção de que eras mesmo assim.
No meu trabalho, vivia rodeada de homens, sendo que eu era a única mulher do meu departamento. Já eu estava  gorda que nem um pote, com dezassete kg a mais em cima do lombo e sentia na maioria deles o pânico de que a qualquer momento eu estaria prestes a explodir. E todos me questionavam o porquê de continuar a trabalhar, uma vez que estava já em fim de tempo. No trabalho do pai, eram as mulheres dos colegas dele que me questionavam esse porquê (julgo que apesar de nenhuma estar prenha, nenhuma delas trabalhava na altura). A mim, fazia-me confusão não o fazer, e entre o trabalho, a faculdade e as lides de casa (algumas lides de casa), ainda fiz o teu enxoval, e foi na minha hora de almoço que comprei o teu berço, a colcha e outros apetrechos, tudo em tons de azul, que na altura tinha a mania que não gostava de rosa (e não, não era por ter tido a intuição de que aí vinha um rapaz, mas esta minha mania anti-rosa que durou muito pouco tempo, acabou por se traduzir numa grande poupança, quando três anos depois nasceu o teu irmão).
Trabalhei portanto até ao ultimo dia. Não planeei o parto, não fiz aulas de preparação, e quando senti chegado o momento fui para o hospital.
Não foram horas fáceis. Nem tão pouco, foram poucas. Durante as treze horas e meia em que esperei pelo tão ansiado momento, o pai , mais nervoso que eu, tentou acalmar-me com festinhas. Garanto-te que quase levou uma chapada em troca. Lembro-me que vociferei umas quantas barbaridades, entre as quais que nunca mais na vida iria ter outro filho.
Quando tu finalmente nasceste e te colocaram nos meus braços, chorei. Mas isso, não deve ser uma novidade para ti. Tu sabes que eu choro. Sabes que choro de cada vez que me emociono e esse foi talvez o momento mais carregado de emoção, em toda a minha vida. Estavas finalmente nos meus braços. E eras exatamente como eu tinha sonhado. Os teus cabelos eram quase brancos de tão loiros que eram. A tua pele era branca, quase transparente. Os teus olhos, tão azuis como o mar.
Tinhas umas mãos e uns pés grandes, coisa que fez com que a tua pediatra nos tivesse feito crer até há bem pouco tempo atrás, de que irias ser alta e espadaúda. Hoje percebemos todos (inclusive ela) que apesar das mãos esguias e dos pés em estilo barbatana, se chegares aos meus míseros cento e sessenta centímetros será uma sorte.
Julgo que a maternidade a levei mesmo por intuição. E grosso modo, não me parece que tenha feito um mau trabalho. Tirando o facto de  não te ter comprado uma chucha anatômica (a inexperiência tem destas coisas ), e de te ter enfiado no primeiro dia com uma chucha tamanho XL pela boca adentro, o que fez com que, quando me tivesse apercebido do erro, tenha sido tarde de mais e te tenha custado (a ti e a mim, em perspectivas diferentes) um ano e meio de aparelho para endireitar a caramalheira toda.
O facto de teres usado chucha durante muito tempo também não ajudou. Mas, também de uma forma intuitiva, deixei que a usasses até quereres (assim como fiz com o teu irmão). Achei por bem não fazer-te passar por esse sofrimento, já que durante meses insistimos na chucha como forma de acalmar, e depois o desmame forçado, pensava eu, devia ser algo difícil e doloroso (pronto, o facto de eu ser fumadora, ajudou nessa minha decisão do "chucha até quereres, que isto do vício é tramado"). Assim, e da mesma forma descontraída e leve com que sempre tens levado a vida, ignoraste até aos seis anos os comentários alheios de que já eras quase uma senhora e que feio era, ainda de chucha, e quando estavas prestes a iniciar o ciclo primário, foste tu quem decidiu que a chucha era uma coisa do passado.
Ao longo destes dezasseis anos, foram várias as vezes que a tua pediatra te apelidou de uma criança feliz. E é assim que eu te vejo. Descontraída, muitas vezes no teu mundo tão próprio, mas feliz.
E é essa felicidade que irradias todos os dias que me enche, que me preenche e me torna uma pessoa feliz. 
Fez ontem dezasseis anos que trouxeste luz à minha vida. 
Love you.

Já venho fora d'horas para falar no dia da mãe?

É que amuei nos últimos dias, e agora que já desamarrei o burro, já me sinto capaz de verbalizar sobre o dito. 

Uns dias antes, na confusão que é a secretária do meu miúdo, e na tentativa de lhe dar um jeito (que mais não é, do que amontoar tudo e encostar a um canto), vislumbro um postal cor de rosa. Uma coisa muito simplória, um "certificado do amor" já "fabricado", onde só estava preenchido com a sua letra, o nome dele. Percebi que logo que algum professor se tinha preocupado com o assunto, já que agora, no terceiro ciclo, um mundo de meninos crescidos, não há cá trabalhos manuais para presentear a mãe neste dia especial. 
Voltei a colocar o referido postal na confusão dos papeis, e esperei que me chegasse às mãos no domingo.

A miúda na véspera do dia da mãe, dá-me um abraço e diz-me que no dia seguinte eu não teria de me preocupar com nada. Que me faria o pequeno almoço, que mo levaria à cama, que faria o almoço, que arrumava a cozinha, e blá blá, pardais ao ninho, e eu pardalita no ninho, de perna cruzada. A ideia animou-me.

No dia seguinte, dia mãe, note-se, sou a primeira a acordar. Ninguém tem culpa disso, pois claro, que estou a ficar a velha, e a cama já não me sabe bem até altas horas da manhã. De seguida, acorda o miúdo. Referencia nenhuma ao dia. Senta-se no sofá, liga a televisão, e vejo-o a chupar pela palhinha, um leite com chocolate. Pardalito mais pequeno, de perna cruzada.  De seguida ouço os pés da miúda a rastejar pelo corredor.  Já eu andava munida de um aspirador, pronta para contrariar o que me tinha sido prometido na véspera. Pouso a lombriga gigante que é o tubo do aspirador central, e digo "bom dia, filha!". Olha para mim, olhos inchados e além do bom dia pergunta-me o que  há para comer. Respondo já em modo "aziada", leite, pão, fiambre, queijo, iogurtes. Agarro na lombriga e aspiro a casa toda como se estivesse a fazer uma maratona de limpeza. E antes que eu expluda, fecham-se os dois a estudar. Faço o almoço, ponho a mesa, sirvo o almoço, almoçamos, oiço "feliz dia da mãe", agradeço, levanto a mesa, e como ninguém se oferece, ordeno "arrumem a cozinha, que eu vou tomar banho". 

Saímos de casa, para o jogo do miúdo, e no regresso atiro para o ar:
- hoje é o dia da mãe, e nem um postalinho, nada?
- não mãe... por acaso não fiz nenhum postal...
- não? nem um?
- não...
- então e um postal cor de rosa que está na tua secretária? não é para mim? quantas mães tens?
- Ah.... Esse... Esse foi a minha professora de escrita criativa que nos deu!!!

Ok. A professora não deve ter dito explicitamente, entreguem isto às mamãs. Está perdoado, Coitadinho do pardalito. Ligo à pardalita irmã, que tinha ficado a estudar e digo-lhe para se arranjar. Vamos jantar com a avó, porque HOJE É DIA DA MÃE, e esta pardala está cansada, e não vai fazer jantar para ninguém.
Salvei assim o dia, ninguém o salvou por mim. 

terça-feira, 5 de maio de 2015

Descobri que sei fazer magia

Aos quarenta anos de idade (bolas, ainda me custa a sair esta entoação "enta") descobri que sei fazer magia. 
A ver:

- mãeeee !! sabes onde estão as minhas calças pretas?
- estão no teu roupeiro!

trinta segundos depois:

- mãeeee !! não encontro!
- procura bem, que estão aí!

trinta segundos depois:

- mãeeee !! já procurei e não estão!

Largo o que estou a fazer, e caminho em passo acelerado, calcanhares quase a bater no rabo, em fúria. Enfio as mãos no roupeiro, e saco das ditas calças pretas. Em menos de dois segundos. E a cena repete-se, diria que quase diariamente. Como o faço quase a espumar pela boca, a miúda num destes dias, após eu ter encontrado umas calças de ginástica que, dizia ela, estavam desaparecidas há séculos, deu-me um abraço e disse "tu realmente mãe, deves ter poderes mágicos..."

Agora:
- mãeeee !! não encontro aquela minha camisola xpto!
- procura que está na gaveta!

trinta segundos depois:
- mãeeee !! podes vir aqui fazer magia?

E mais outro

Bruxa Mimi lançou-me mais um feitiço, ops, queria dizer, desafio. Tenho andado um bocado "arredada" aqui do meu modesto espaço, e antes que estas coisas caiam no esquecimento, cá vai:

7 coisas a fazer antes de morrer
Deixar de fumar (para não morrer do vício)
Voltar à Malásia
Conhecer Portugal de lés a lés
Aprender a gostar de exercício físico
Aprender a gostar de vinho (só porque dizem que faz bem ao coração)
Aprender a dançar

7 coisas que mais digo
Obrigada
Por favor
Bolas
Fonix
Vou pensar
Venham para a mesa!! (importam-se de vir para a mesa??)
Sim? ou Alô (tive que pensar duas vezes na forma como atendo o telefone, e acho que estas são as mais comuns)

7 coisas que faço bem
Cozinhar
Limpar
Arrumar
Conversar (pelos cotovelos)
Ouvir
Comprar
Decoração

7 coisas que não faço bem
Costurar
Engomar camisas (no resto, safo-me com alguma distinção)
Seguir manuais de instruções
Bricolage
Nadar
Andar de bicicleta
Dançar

7 coisas que me encantam
Ver o miúdo jogar futebol
Ver a miúda dançar
Ver a alegria dos meus miúdos
Ouvir as gargalhadas do meu sobrinho
Comezaina com amigos
Passear descontraída
Um gin tónico numa esplanada

7 coisas que não gosto
Mentiras
Ervilhas
Que coisas boas, engordem
Hipocrisia
Cinismo
De ler manuais de instruções
Pescada com batata cozida

Missão cumprida, embora que aldrabada! Não nomeei 7 blogues, mas convido a quem quiser responder!

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Dos desafios...mais um

A São, que passa a vida a experimentar novidades, para nos dar a conhecer , foi uma querida e voltou a meter-me num desafio. Já participei no mesmo, e para não estar a escrever novamente onze factos sobre mim, vou apenas responder às questões que me colocou :

Cidade Portuguesa Preferida:
Braga. Vivi lá um ano, e apesar de dizerem que é o penico de Portugal, amei.

Avião ou Barco?
Avião. É mais rápido, e eu ando sempre com pressa (que é o mesmo que dizer : atrasada)

Peça Preferida : Saia, calças ou vestido?
Gosto de tudo. Gosto de roupa. Muita, e variada. Por isso, marcha tudo.

Se eu ganhasse o euromilhões...
Quando eu ganhar o euromilhões, vou ajudar tanta gente...

Salto alto ou raso?
Alto. Definitivamente.

Flor preferida
Não tenho uma preferida. Mas gosto de flores brancas. Jarros, rosas, tulipas...

Fruta preferida
Cerejas. Cerejas. Cerejas. Que saudades...

Humor ao acordar
Hum.... Do pior que se possa imaginar. Já tentei inverter a situação, mas, é mais forte do que eu.

Bebida preferida
Gin tónico. Sempre.

O que gostavas mesmo, mesmo de experimentar
Agora é que a porca torce o rabo... Assim de repente, não me ocorre nada...

Agora as nomeações, sendo que as perguntas podem ser estas da São, ou as da Linda Porca, no desafio igual (o link está no início do post)

Boneca (abestelha prá'í)
Cinquentinha (para relatares quando voltares de férias)
Cláudia (se tiveres tempo)
Francisca (aqui ou em Veneza...)
B (para de distraíres)
Maria C. (caso te toque)
Paula ( respondes agridocemente?)


O primeiro beijo

O miúdo tem uma namorada.
Felizmente, não são da mesma escola. Se assim, aquela cabeça já só pensa em tudo menos no estudo, a serem da mesma escola o caldo estaria ainda mais entornado.
O miúdo vai fazer treze, e já tem uma namorada.
Foram ao cinema com um grupo de amigos. 
No carro, de regresso a casa, conta-nos que o amigo estava muito triste, porque uma das amigas lhe roubou um beijo. Pergunto-lhe porque está chateado e ele explica-me:

-Foi o primeiro beijo dele! O primeiro beijo deve ser algo de especial. E foi aquela miúda tem uma baliza nos dentes, 'tás a ver? 

- Então e o filme ? Foi giro? Ou estiveste o tempo todo aos beijos?

- Se quiseres conto-te a história do filme. Mas... eu só sei a história, porque quando cheguei cá fora pedi para me fazerem um resumo ! - Ri-se com ar de malandro.

- O quê? Estiveste mesmo o tempo todo aos beijos? Olha que isso até te pode fazer mal. Podes ficar com a boca cheia de cieiro... -  Engulo em seco, mas ele está bem disposto e falador e decido arriscar:

- Então e o teu primeiro beijo? Foi com esta miúda?

- Não mãe, achas? 

- Ai não? Então foi quando? - Revolvem-se-me as entranhas.

- Foi quando eu tinha uns onze anos - diz-me, como se onze anos fosse uma idade muito longínqua - e foi num daqueles jogos de verdade ou consequência. - Sinto o murro no estômago.

- Ai foi? Então e foi com quem?

- Oh mãe, não achas que estás a querer saber de mais?

- É só mera curiosidade...

- Ai é? Então e tu? Com quantos anos perdeste a virgindade? - Sinto o coração entalado, quiçá preso entre duas costelas, resmungo qualquer coisa relacionado com o facto de ser eu a mãe, nada sem muito sentido, e damos por encerrado o assunto.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Gaba-te cesto, que vais à vindima

No carro, a caminho do treino de futebol, miúdo ao meu lado, equipado, pernocas à mostra.
Começa a contrair os músculos, e diz-me:
-Olha-me só esta musculatura, hein? 

Olho-lhe as pernas, ainda despidas de pêlos, mas bem definidas, meu homenzinho pequenino. Tiro uma mão do volante e pouso a mão na sua perna ainda contraída.
-Psst... Tira daqui a mãozinha que isto é propriedade privada...

Sorrio. E ele remata:

- Cada pessoa tem o seu corpo. E as pessoas não se devem queixar do seu corpo, porque cada qual tem o seu. Mas depois há aquelas pessoas assim como eu, que tiveram a sorte de ter um corpinho destes...


 

Adolescência (também) é isto

Ontem, no carro, a caminho da escola:
- Mãe, estou muito preocupada com o teste de fisica/quimica. Percebo aquilo, mas depois há sempre qualquer coisa que me falha nos problemas... para além disso também estou preocupada com a minha festa de aniversário. Estive aqui a pensar, e das duas uma, ou não faço nada, ou faço uma coisa muito pequena só com as minhas amigas mais chegadas. Tipo, só quatro amigas, 'tás a ver? É que é assim, apetecia-me convidar o meu grupo todo de amigos. Mas olha, os rapazes são uns imaturos, infantis, e estão sempre com parvoíces. Tu nem imaginas... Depois apetecia-me convidar imenso pessoal da minha turma do ano passado. Mas depois, separam-se logo todos por grupinhos. Depois não consigo dar atenção a todos. Depois apetecia-me convidar uma ou duas pessoas da minha turma deste ano. Mas depois há outros, que se não forem convidados, ficam melindrados. Por isso, olha, não sei, mas se calhar vamos só cinco amigas sair.

Aí, decido levantar uma ponta do véu:

- Olha filha, eu percebo isso tudo, mas sabes que o teu grupo de amigos se está a juntar para te comprar um presente que é um bocado caro, e depois é chato, terem entrado todos na angariação de fundos para o presente, e deixares mais de metade fora da festa...

- Ai é? Então está decidido. Não faço nada e fica o assunto arrumado.

-Oh filha, mas são os teus dezasseis anos...

- Pois são. E o ano passado foram os meus quinze, e para o ano serão os meus dezassete...

Calei-me, e andei todo o dia assim a modos que angustiada, com o facto da miúda se preocupar com este tipo de coisas, e deixar passar a data em branco, sem qualquer comemoração com os amigos.

Ao fim da tarde, no carro, de regresso a casa:

- Mãe, afinal já me decidi, em relação à minha festa. Não vai ser uma. Vão ser duas. Na sexta, vou com as amigas mais chegadas ao Main, já quase todas temos dezasseis, de certeza que nos deixam entrar,  e no sábado faço uma jantarada com o resto do pessoal todo, ali perto de Santos. Já fiz a lista, somos quarenta e tal. Ah, e já estou a perceber bué de fisica/quimica. 

Da angustia que senti anteriormente, passei para o modo "em choque", do qual padeço até hoje. 


terça-feira, 21 de abril de 2015

Deprimida

Fui buscar a miúdagem à escola. Os meus, e as duas da minha amiga.
As mais velhas lançaram o último tema da aula de filosofia. Debatiam uma das teorias de Kant e a discussão era:

A tua mãe estava numa linha de comboio, prestes a ser atropelada. Tu ias no comboio, e sabias que se mandasses porta fora três gordos que iam na mesma carruagem, o comboio conseguia mudar de linha, e salvavas a tua mãe. O que fazias neste caso?

Fiquei a saber que de toda uma turma, com vinte e três alunos, a minha filha era a única que não me salvava. A única.  Vinte e duas mães salvas e eu  condenada a morrer trucidada por um comboio tresloucado. Quando a miúda me ouviu pela terceira vez - eu agarrada ao volante, ainda em choque a imaginar o cenário - "mas foste a única a não salvar a mãe?", ela justificou:

- Oh mãe, tu já estavas na linha. E os três gordos? Tinham alguma culpa nisso? Então, eu ia sacrificar a vida dos três gordos, completamente inocentes, por ti? E depois? Por muito que eu gostasse de ti, os outros três não tinham culpa nenhuma. Para além disso, o que é tu estavas a fazer na linha do comboio, hã?

Ouvi a versão da amiga:

- O instinto é salvar os nossos. Além disso, se eram gordos, tinham grandes hipóteses de morrer mais cedo por problemas com a obesidade.

- Não te cabe a ti decidir isso - respondeu a minha.

Entretanto, o ex-rei veio cá a casa, e em mais uma conversa com o miúdo acerca do futebol versus escola versus amigos versus namorada, versus prioridades, ele pediu-lhe para desenhar num papel quatro círculos. Cada circulo tinha uma correspondência. Família, futebol, escola, amigos/namorada. O tamanho do circulo de cada um, devia corresponder ao tamanho da importância de cada uma destas coisas, na vida dele. O circulo maior, era o do futebol. Ligeiramente maior do que o da família. 

Se a miúda me mata numa linha férrea, o miúdo chuta-me para canto em prol de uma futebolada.
Agora vou ali deprimir um bocadinho, e já venho.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Golden Boy, Golden Girl

Esta semana dei umas palmadas ao miúdo.
Fica mal dizer que lhe dei uma tareia, dado os trágicos acontecimentos das últimas semanas, mas  o que sinto é que foi uma tareia, mesmo.
Porque não estou habituada a distribuir palmadas, e porque lhe dei umas quantas, ante ontem. Não sei quantas foram, não as contei, porque me foram saindo à medida das respostas dele. Mas sei que me ficou a doer a mão, que mesmo os açoites tendo sido no rabo, aquilo é só pele e osso (e músculo, muito músculo, que ele anda sempre a apregoar que está uma beast ).

 Foi mesmo antes de irmos para a cama, e detesto deitar-me chateada com qualquer um deles. Mas deitei-me, mão a arder, respiração ofegante, a sensação, não de ter dado uma tareia, mas de eu própria ter levado uma tareia.
Sonhei a noite toda, que o miúdo tinha o corpo marcado por consequência daquela (talvez) meia dúzia de palmadas que lhe dei. Foi só um sonho, tenho a certeza que as palmadas  me doeram mais a mim do que a ele. Também tenho a certeza que não é com palmadas que as coisas se resolvem, mas também sei que levei algumas e não morri. E verdade seja dita, que ontem acordou mansinho que nem um cordeiro, mesmo que eu saiba que é sol de pouca dura. E sei, tenho a certeza, que este é um longo caminho a percorrer, que o miúdo tem um feitio do pior, raios, que havia de sair à mãezinha dele.

Por conseguinte, a miúda ontem, andou todo o dia a apregoar ironicamente  que a mãe tinha dado uma tareia ao golden boy, e que viu o caso mal parado. Que por pouco, o golden boy ainda tinha de ir parar ao hospital (e imitava as minhas palmadas, como se de festinhas se tivessem tratado). E que ela, nunca na vida, me tinha respondido da forma como o golden boy me responde.

A minha miúda é sempre muito assertiva na forma como analisa as situações à sua volta. Para além de ser pouco emotiva e muito racional.  Mas denoto uma ligeira ponta de ciúmes relativamente ao irmão. Gerir duas adolescências tão distintas, também não é fácil. E já lhe disse que sou a mãe com mais sorte do mundo. Porque não só tenho um golden boy, como tenho a melhor golden girl que algum dia podia imaginar. Fez-me "pfff", em género está bem, abelha. 

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Segurar a vela

A propósito do post de ontem e porque vinha no carro com os meus miúdos e as miúdas amigas deles, filhas de um casal amigo meu, e vinha a tentar organizar o fim do meu/nosso dia, porque não tinha ajuda para os transportes, e os meus miúdos tinham compromissos distintos em locais distintos à mesma hora. E no momento cancelámos a explicação da miúda, reagendámos a mesma para outro dia, e eu vinha a dizer-lhes o quão difícil é organizar a agenda de três gatos pingados como nós.
E a minha miúda sai-se com esta:

- Oh mãe tu tens é de arranjar um namorado. Qualquer dia nós saímos de casa, tu ficas velha e só, e isso deve ser muito triste.

E eu ri-me, e o meu miúdo soltou:

-Yá. Mesmo.

E uma das amigas, a mais velha, da idade da minha, disse:

- Que estupidez. A tua mãe não fica sozinha. Tem sempre a minha mãe e o meu pai.

E o meu miúdo rematou:

-Sim. Muito bonito. A segurar a vela eternamente. 

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Vida social

A minha vida social, está claramente cada vez mais agitada.
Consigo aperceber-me deste facto não só pelo conta quilómetros do meu carro e consequentemente a quantidade de vezes que visito a bomba de gasolina para abastecer, mas também pelo facto de por vezes ter de calcular ao milímetro o tempo que vou gastar entre um percurso e outro, para poder fazer tudo a seu tempo.
Assim, tenho dividido o tempo entre dois campos de futebol, que o miúdo agora além de treinar no clube da aldeia, também treina num clube lisboeta. Soma quatro treinos por semana, sendo que o de lisboa me obriga a permanecer por mais de duas horas à espera de sua excelência. Mas, se o miúdo tem futebol, a miúda tem dança. O que obriga à sua deslocação também. Ah, e depois têm Cambridge. E em dias e escolas diferentes, por uma questão de logística de cada um deles. E depois ele tem jogos, sábados e domingos de manhã. E ela tem explicações de matemática. E depois têm as idas ao cinema com os amigos e ela tem as saídas ocasionais à noite, e têm os jantares de aniversários, e têm amigos a dormir cá em casa, e têm dormidas em casa de amigos. E eu levo e trago, e recebo e cozinho para um batalhão, e de repente já me baralho com os horários, e de repente hoje não me consigo dividir entre o futebol e a explicação, e alguma coisa vai ter de ser cancelada, e depois disto tudo ainda faço e dou jantar, e são onze da noite quando finalmente me sento no sofá, e penso que a minha vida social está completamente condenada a ser a vida social dos meus filhos. 

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Há coisas que não podem ser delegadas

Já houve quem me dissesse que sou uma autêntica fada do lar.
Na verdade, gosto da maioria das tarefas caseiras, embora haja uma que me deixa mesmo lixada. As meias. As putas das meias, que tendem a desaparecer das gavetas enquanto o diabo esfrega um olho (" mãeeeee !! não tenho meias!"). As putas das meias que tendem a desaparecer aos impares e que me questiono seriamente para onde vão parar já que, o molho das desemparelhadas cresce a olhos vistos e ainda no outro dia deitei um saco cheio delas, para o lixo.
Mas, um dia desta semana, quando abri a porta de casa ao ex-rei e ao miúdo, acabados de chegar do treino, estava eu com um alguidar na mão atolado delas (das putas das meias) surgiu-me a ideia. Assim a modos que luminosa. Num ápice passei o testemunho, e larguei o alguidar nas mãos do ex-rei. 

- Vá, tenho uma tarefa para vocês. Enquanto eu acabo o jantar, vocês emparelham estas meias. 

Foi um instante enquanto eles me devolveram o alguidar, cheio de bolas pretas. Fiquei tão contente que enquanto as arrumava nas gavetas, só pensava que esta era uma tarefa que eu já sabia a quem delegar. E que o meu martírio das meias havia chegado ao fim.
Ontem, ao fim do dia, a miúda disse-me :

-Oh mãe, tu importas-te de nunca mais dares as meias ao pai e ao mano para dobrar? É que tu não imaginas. Desembrulhas aquilo, e não há um par certo! E até há meias azuis misturadas com meias pretas!

O miúdo olha para mim com ar de traquina, levanta as duas pernas das calças, e mostra-me, diria mesmo, com orgulho:

-Olha lá como é que eu fui para a escola hoje!

Num pé, uma meia pézinho. No outro uma que lhe tapava meia canela. 

quinta-feira, 9 de abril de 2015

A Linda porca meteu-me nisto, e só por ser ela, cá vai

Uma pessoa tem dias, e eu tenho andado naqueles dias em que, primeiro : não tenho tido muito tempo para vir aqui. Segundo: não me tem apetecido muito vir aqui. Mas, o desafio foi lançado pela jeitosa da Linda Porca, e vá-se lá saber porquê, que nunca a vi mais gorda (um dia, podia jurar que a tinha visto, num desses centros comerciais suburbanos, mas ela depois afiançou-me que não, e caiu por terra a ideia de já a ter vislumbrado em carne e osso), mas engrancei com ela, desde o primeiro dia em que a li (foi com ela e com a Uva, foi a modos que amor à primeira leitura) e como tal, não a posso deixar ficar mal, que até me senti lisonjeada com tamanho desafio. Por isso cá vai :
A "coisa" consiste em: 

Escrever 11 factos sobre nós próprios.
Responder às perguntas que nos colocaram.
Nomear 11 blogs com menos de 200 seguidores.
Fazer 11 perguntas a esses blogs nomeados.
Colocar a foto do Liebster Award no post e respectiva tag.
Enviar o link do post a quem te nomeou.

Liebster-Award1.jpg
Então, a ver: 11 factos sobre mim:
1- Acordo sempre ligeiramente rabugenta (diz que ligeiramente é quase um elogio, mas eu continuo a achar que é exagero)

2- Tive um crescimento muito tardio, e por isso fui a última das minhas amigas a arranjar namorado, facto que me levou a viver uma adolescência algo complexante (hoje percebo que não me fez falta nenhuma. o namorado).

3- Com o crescimento tardio, mas depois, repentino, houve uma perna, que ainda preguiçosa, se deixou ultrapassar pela outra. Assim, sou mais alta de um lado, do que do outro, cerca de centímetro e meio. Mas não coxeio, e por isso, este é um defeito de fabrico que até passa despercebido.

4- Sei que isto é um cliché, mas a minha grande obra prima, são mesmo as minhas crias. São os dois do mais bonito que há. Tão bonitos que até dói. Mesmo que ao cliché alguém possa acrescentar  o provérbio de quem feio ama, bonito lhe parece. Mas é que os miúdos são mesmo bonitos. E acima de tudo, por fora e por dentro (foi cliché do princípio ao fim). 

5- Sou loira, mas não sou burra. Embora às vezes possa parecer que sou. Mas como sou uma loira falsa, quando sou burra, também sou uma burra falsa. Ou não. 

6- Não sou surda, mas tenho um ouvido estrábico. Facto que me leva muitas vezes a parecer surda. Mas não sou. Tenho é tendência para ouvir os sons do lado contrário de onde eles são emitidos. Do género: alguém me chama uns metros à esquerda, e eu olho imediatamente para a direita. E a pior cena que me aconteceu à conta deste meu (outro) defeito, foi uma manhã, em que enverguei umas lindas calças de pele, e o raio das calças faziam um som tipo saco de plástico conforme eu me ia mexendo (e não eram de plástico, eram mesmo de pele, ou então fui enganada, porque ao preço que custaram, até deviam ter costuras de ouro). Vai daí, de cada vez que dava um passo, olhava para trás. Eu estava sozinha em casa. E havia algo a perseguir-me. E era um saco de plástico. Eu podia jurar que estava a ser perseguida por um saco de plástico. Foram momentos de terror que não desejo a ninguém.

7- Aos vinte e tal anos, altura em que já tinha idade para ter juízo, furei o umbigo. Aos trinta e sete, achei que já não tinha idade para piercings e tirei-o. Três dias depois, e antes que o buraco se fechasse para todo o sempre, a minha filha disse-me que a minha barriga já não parecia a minha. E pediu-me que o pusesse de novo. E eu, que sentia exactamente o mesmo, caguei na idade e hoje, aos quarenta, ostento um belo piercing umbilical. E só o tiro no dia que vir que já não tenho uma barriga digna de o usar (a comer assim, deve estar para breve). Constatei também, que a minha filha teve um rasgo inteligente, porque uma mãe com um piercing, não tem moral para negar um à filha ( a sorte é que só tenho um. e que nunca me deu para a maluqueira das tatoos).

8- Esta porra dos 11 factos sobre mim, está a ficar um bocado comprida. Vou abreviar. Assim com´á assim, não interessa nada.
Gosto de comer. Petiscos, todos. Desde o pezinho de coentrada, aos caracois (tanto, tanto). Ah, e adoro uma bela sandocha de coirato. Com pêlo e tudo. 

9- Sou boa rapariga, ou pelo menos, gosto de pensar que sim. Ou pelo menos, acho que sim. Também sei ser cabra quando me pisam os calos. Mas isso raramente acontece, se calhar porque, dizem-me, sou muito boazinha e gosto de ver toda a gente na paz (de Cristo).


10- Já tive muitos sonhos, concretizei a maioria deles. Um dia acordei num pesadelo, e desde então desaprendi de sonhar.

11- Já chega, não?

Ufa, Linda Porca, que isto cansa. Vou responder às tuas perguntas. Só mesmo porque foste tu. Bolas. Vá, bora lá a isto:

1- Como é que vieste aqui parar?
Olha, nunca fui de andar em blogues, nem de navegar muito por essa internet (a)fora. Mas tinha duas pessoas amigas com quem trocava muitas mensagens e emails, e às vezes tínhamos conversas tão parvas que elas diziam-me insistentemente que eu devia ter um blogue. Nunca pensei muito nisso, até porque não acho que escreva ao nível de muitos dos que sigo, mas um dia, olha, apeteceu-me. O nome foi escolhido pelas razões que lá descrevo (porque sempre contei muitas histórias aos miúdos, onde incluía sempre uma rainha e os seus príncipes, que éramos nós, em género "era uma vez uma rainha que tinha uma princesa e um príncipe, que não gostavam de sopa... e era sempre um castigo para comerem sopa. Até que foram ficando muito magrinhos, com falta de vitaminas, e blá blá...". Havia sempre um ensinamento inerente. No caso da sopa, confesso que a rainha não ganhou a batalha e ainda hoje, mas de outra forma, sem rainhas e fadas e castelos, me oiço a berrar nas vitaminas e na falta delas, e no raio da sopa que estrabucham para comer.  Noutros casos até acho que foi pedagógico e que serviu para alguma coisa). E pronto, criei a Rainha e a Ervilha, sem grandes floreados, que eu não tenho paciência nenhuma para me aventurar nas artes informáticas, e quando não tenho paciência, funciono à lei do menor esforço. 

2- Onde é que achas que isto vai dar?
Achei que o blogue iria servir um dia, em género de diário, para os meus miúdos virem ler as parvoíces que escrevo deles. Talvez nunca me venham a perdoar, mas olha, se calhar um dia acabo com isto, e esfumam-se as palavras e as letras que vou creditando aqui, e que na verdade, também não interessam nada. Esse, acho que é o futuro mais plausível. 

3- Diz-me como te relacionas com a bicharada.
Qual bicharada? A minha? Tenho um cão, se é essa a categoria de bichos a que te referes. Relaciono-me de uma forma muito formal. Não lhe pego, não lhe dou beijos, não o deixo lamber-me. Isso são afectos que os miúdos lhe dão e de sobra. Às vezes a ponto de me deixarem com ciúmes. O meu miúdo por exemplo, não me dá beijos, não me abraça, e no entanto até beija o cão na boca. Também lhe dou uns gritos (ao cão), quando ele me prega uma mijadela nos cortinados do meu quarto. Uns gritos e uma palmada no lombo. Tento não ser muito bruta, não vá matar o bicho, que é uma amostra de cão (valha-me isso, que o xixi é ao nível do tamanho dele).
Se falas de outra bicharada, olha, tenho tendência a dar-me bem com toda a espécie. Sou boazinha. Já tinha dito, não já?

4- Diz-me o que é que tens à cabeceira.
Queres ver? 
Ao estilo minimalista (que é tudo, menos o estilo da minha casa), tenho apenas a iluminação e aquela bela peça decorativa azul. Se quiseres copiar o estilo, estás à vontade. Chama-se ventilan, e vende-se em qualquer farmácia perto de si (para mais informações, consulte o seu médico ou farmacêutico, ou a rainha).

5- Qual foi o momento mais idiota da tua vida?
Talvez aquele em que entrei no velório errado. E não via ninguém conhecido e todas as cabeças voltadas para mim, e eu a pensar a quem dirigir os sentimentos, e de mansinho, pé ante pé me abeirei da urna e percebi a gaffe. E de mansinho, pé ante pé, mas à retaguarda, dei de frosques.

6- Qual a tua técnica preferida para sair de cena?
Sou péssima nisso. Mesmo. Uma dificuldade atroz. Em jeito de "boazinha" , o problema sou eu, não és tu . Mas nem sempre resulta, porque não o faço à bruta. Então, vou-me afastando lentamente, muito lentamente, até que... saio de cena de vez.

7-Quando precisas mesmo de ter tomates para enfrentar uma sit, o que é que fazes?
Arranjo os tomates e enfrento. Sem pensar muito na questão. 

8- Tens mesmo que desligar uma chamada de telemóvel, mas a outra pessoa, com quem não tens intimidade nenhuma, não se cala. Agora conta lá.
Tão fácil. A questão da rede funciona sempre. E depois desliga-se o telefone cerca de dez minutos para o caso da dita pessoa voltar a ligar, a cena da rede parecer credível. Também tenho outra técnica, se estiver em casa, faço sinal a um dos meus miúdos para me chamar. Assim, em altos berros mesmo : "mãeeeeee". Se a pessoa não se tocar, sou obrigada a dizer que tenho um filho em aflição. Ninguém resiste a um filho em aflição.

9-Estás aflitinho/a para cagar em plena primeira vez com alguém. Agora desemerda-te.
Isso jamais me aconteceria. A não ser que fosse desarranjo intestinal. Uma diarreia gigante, mesmo. É que eu não cago em qualquer lado. Tem de ser na minha sanita, em silêncio e ninguém pode falar comigo sob pena de o dito voltar para trás. E quando estou fora do meu ambiente o meu intestino (que é esperto, o gajo), sabe logo. Então, tímido na quinta casa, retrai-se. E chego a estar dias sem cagar. Uma tragédia, porque como sou boa boca, parar de comer está fora de questão. Então, conforme os dias vão aumentando, a barriga cresce a olhos vistos. Ora barriga de três meses, ora de quatro, e quando cresce ao nível dos cinco, estou prestes a largar merda pelas orelhas. 

10 - Vai um touro a correr atrás de ti escadas acima. O que é que fazes?
Os touros sobem escadas? Não me parece...

11 - Conta-nos tudo, não nos escondas nada. A mim dá-me miminhos, mas graxa não, a menos que seja azul.
Agora assim de repente, e depois de ter revelado o meu trauma intestinal no que à cagança diz respeito, não me ocorre mais nada.
Miminhos, já levaste a tua dose no início desta conversa toda.
Já chega.

Agora, correndo o risco de estar a nomear alguém repetido, cá vai. É que tenho tido pouco tempo e pouca paciência (já disse), e tenho andado ausente e pronto. 
Ah, e pelas razões atrás descritas e mesmo parecendo (sendo) pouco criativo, as questões colocadas podem ser as mesmas da Porquita Linda. 
Os nomeados então:
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