terça-feira, 5 de maio de 2015

E mais outro

Bruxa Mimi lançou-me mais um feitiço, ops, queria dizer, desafio. Tenho andado um bocado "arredada" aqui do meu modesto espaço, e antes que estas coisas caiam no esquecimento, cá vai:

7 coisas a fazer antes de morrer
Deixar de fumar (para não morrer do vício)
Voltar à Malásia
Conhecer Portugal de lés a lés
Aprender a gostar de exercício físico
Aprender a gostar de vinho (só porque dizem que faz bem ao coração)
Aprender a dançar

7 coisas que mais digo
Obrigada
Por favor
Bolas
Fonix
Vou pensar
Venham para a mesa!! (importam-se de vir para a mesa??)
Sim? ou Alô (tive que pensar duas vezes na forma como atendo o telefone, e acho que estas são as mais comuns)

7 coisas que faço bem
Cozinhar
Limpar
Arrumar
Conversar (pelos cotovelos)
Ouvir
Comprar
Decoração

7 coisas que não faço bem
Costurar
Engomar camisas (no resto, safo-me com alguma distinção)
Seguir manuais de instruções
Bricolage
Nadar
Andar de bicicleta
Dançar

7 coisas que me encantam
Ver o miúdo jogar futebol
Ver a miúda dançar
Ver a alegria dos meus miúdos
Ouvir as gargalhadas do meu sobrinho
Comezaina com amigos
Passear descontraída
Um gin tónico numa esplanada

7 coisas que não gosto
Mentiras
Ervilhas
Que coisas boas, engordem
Hipocrisia
Cinismo
De ler manuais de instruções
Pescada com batata cozida

Missão cumprida, embora que aldrabada! Não nomeei 7 blogues, mas convido a quem quiser responder!

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Dos desafios...mais um

A São, que passa a vida a experimentar novidades, para nos dar a conhecer , foi uma querida e voltou a meter-me num desafio. Já participei no mesmo, e para não estar a escrever novamente onze factos sobre mim, vou apenas responder às questões que me colocou :

Cidade Portuguesa Preferida:
Braga. Vivi lá um ano, e apesar de dizerem que é o penico de Portugal, amei.

Avião ou Barco?
Avião. É mais rápido, e eu ando sempre com pressa (que é o mesmo que dizer : atrasada)

Peça Preferida : Saia, calças ou vestido?
Gosto de tudo. Gosto de roupa. Muita, e variada. Por isso, marcha tudo.

Se eu ganhasse o euromilhões...
Quando eu ganhar o euromilhões, vou ajudar tanta gente...

Salto alto ou raso?
Alto. Definitivamente.

Flor preferida
Não tenho uma preferida. Mas gosto de flores brancas. Jarros, rosas, tulipas...

Fruta preferida
Cerejas. Cerejas. Cerejas. Que saudades...

Humor ao acordar
Hum.... Do pior que se possa imaginar. Já tentei inverter a situação, mas, é mais forte do que eu.

Bebida preferida
Gin tónico. Sempre.

O que gostavas mesmo, mesmo de experimentar
Agora é que a porca torce o rabo... Assim de repente, não me ocorre nada...

Agora as nomeações, sendo que as perguntas podem ser estas da São, ou as da Linda Porca, no desafio igual (o link está no início do post)

Boneca (abestelha prá'í)
Cinquentinha (para relatares quando voltares de férias)
Cláudia (se tiveres tempo)
Francisca (aqui ou em Veneza...)
B (para de distraíres)
Maria C. (caso te toque)
Paula ( respondes agridocemente?)


O primeiro beijo

O miúdo tem uma namorada.
Felizmente, não são da mesma escola. Se assim, aquela cabeça já só pensa em tudo menos no estudo, a serem da mesma escola o caldo estaria ainda mais entornado.
O miúdo vai fazer treze, e já tem uma namorada.
Foram ao cinema com um grupo de amigos. 
No carro, de regresso a casa, conta-nos que o amigo estava muito triste, porque uma das amigas lhe roubou um beijo. Pergunto-lhe porque está chateado e ele explica-me:

-Foi o primeiro beijo dele! O primeiro beijo deve ser algo de especial. E foi aquela miúda tem uma baliza nos dentes, 'tás a ver? 

- Então e o filme ? Foi giro? Ou estiveste o tempo todo aos beijos?

- Se quiseres conto-te a história do filme. Mas... eu só sei a história, porque quando cheguei cá fora pedi para me fazerem um resumo ! - Ri-se com ar de malandro.

- O quê? Estiveste mesmo o tempo todo aos beijos? Olha que isso até te pode fazer mal. Podes ficar com a boca cheia de cieiro... -  Engulo em seco, mas ele está bem disposto e falador e decido arriscar:

- Então e o teu primeiro beijo? Foi com esta miúda?

- Não mãe, achas? 

- Ai não? Então foi quando? - Revolvem-se-me as entranhas.

- Foi quando eu tinha uns onze anos - diz-me, como se onze anos fosse uma idade muito longínqua - e foi num daqueles jogos de verdade ou consequência. - Sinto o murro no estômago.

- Ai foi? Então e foi com quem?

- Oh mãe, não achas que estás a querer saber de mais?

- É só mera curiosidade...

- Ai é? Então e tu? Com quantos anos perdeste a virgindade? - Sinto o coração entalado, quiçá preso entre duas costelas, resmungo qualquer coisa relacionado com o facto de ser eu a mãe, nada sem muito sentido, e damos por encerrado o assunto.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Gaba-te cesto, que vais à vindima

No carro, a caminho do treino de futebol, miúdo ao meu lado, equipado, pernocas à mostra.
Começa a contrair os músculos, e diz-me:
-Olha-me só esta musculatura, hein? 

Olho-lhe as pernas, ainda despidas de pêlos, mas bem definidas, meu homenzinho pequenino. Tiro uma mão do volante e pouso a mão na sua perna ainda contraída.
-Psst... Tira daqui a mãozinha que isto é propriedade privada...

Sorrio. E ele remata:

- Cada pessoa tem o seu corpo. E as pessoas não se devem queixar do seu corpo, porque cada qual tem o seu. Mas depois há aquelas pessoas assim como eu, que tiveram a sorte de ter um corpinho destes...


 

Adolescência (também) é isto

Ontem, no carro, a caminho da escola:
- Mãe, estou muito preocupada com o teste de fisica/quimica. Percebo aquilo, mas depois há sempre qualquer coisa que me falha nos problemas... para além disso também estou preocupada com a minha festa de aniversário. Estive aqui a pensar, e das duas uma, ou não faço nada, ou faço uma coisa muito pequena só com as minhas amigas mais chegadas. Tipo, só quatro amigas, 'tás a ver? É que é assim, apetecia-me convidar o meu grupo todo de amigos. Mas olha, os rapazes são uns imaturos, infantis, e estão sempre com parvoíces. Tu nem imaginas... Depois apetecia-me convidar imenso pessoal da minha turma do ano passado. Mas depois, separam-se logo todos por grupinhos. Depois não consigo dar atenção a todos. Depois apetecia-me convidar uma ou duas pessoas da minha turma deste ano. Mas depois há outros, que se não forem convidados, ficam melindrados. Por isso, olha, não sei, mas se calhar vamos só cinco amigas sair.

Aí, decido levantar uma ponta do véu:

- Olha filha, eu percebo isso tudo, mas sabes que o teu grupo de amigos se está a juntar para te comprar um presente que é um bocado caro, e depois é chato, terem entrado todos na angariação de fundos para o presente, e deixares mais de metade fora da festa...

- Ai é? Então está decidido. Não faço nada e fica o assunto arrumado.

-Oh filha, mas são os teus dezasseis anos...

- Pois são. E o ano passado foram os meus quinze, e para o ano serão os meus dezassete...

Calei-me, e andei todo o dia assim a modos que angustiada, com o facto da miúda se preocupar com este tipo de coisas, e deixar passar a data em branco, sem qualquer comemoração com os amigos.

Ao fim da tarde, no carro, de regresso a casa:

- Mãe, afinal já me decidi, em relação à minha festa. Não vai ser uma. Vão ser duas. Na sexta, vou com as amigas mais chegadas ao Main, já quase todas temos dezasseis, de certeza que nos deixam entrar,  e no sábado faço uma jantarada com o resto do pessoal todo, ali perto de Santos. Já fiz a lista, somos quarenta e tal. Ah, e já estou a perceber bué de fisica/quimica. 

Da angustia que senti anteriormente, passei para o modo "em choque", do qual padeço até hoje. 


terça-feira, 21 de abril de 2015

Deprimida

Fui buscar a miúdagem à escola. Os meus, e as duas da minha amiga.
As mais velhas lançaram o último tema da aula de filosofia. Debatiam uma das teorias de Kant e a discussão era:

A tua mãe estava numa linha de comboio, prestes a ser atropelada. Tu ias no comboio, e sabias que se mandasses porta fora três gordos que iam na mesma carruagem, o comboio conseguia mudar de linha, e salvavas a tua mãe. O que fazias neste caso?

Fiquei a saber que de toda uma turma, com vinte e três alunos, a minha filha era a única que não me salvava. A única.  Vinte e duas mães salvas e eu  condenada a morrer trucidada por um comboio tresloucado. Quando a miúda me ouviu pela terceira vez - eu agarrada ao volante, ainda em choque a imaginar o cenário - "mas foste a única a não salvar a mãe?", ela justificou:

- Oh mãe, tu já estavas na linha. E os três gordos? Tinham alguma culpa nisso? Então, eu ia sacrificar a vida dos três gordos, completamente inocentes, por ti? E depois? Por muito que eu gostasse de ti, os outros três não tinham culpa nenhuma. Para além disso, o que é tu estavas a fazer na linha do comboio, hã?

Ouvi a versão da amiga:

- O instinto é salvar os nossos. Além disso, se eram gordos, tinham grandes hipóteses de morrer mais cedo por problemas com a obesidade.

- Não te cabe a ti decidir isso - respondeu a minha.

Entretanto, o ex-rei veio cá a casa, e em mais uma conversa com o miúdo acerca do futebol versus escola versus amigos versus namorada, versus prioridades, ele pediu-lhe para desenhar num papel quatro círculos. Cada circulo tinha uma correspondência. Família, futebol, escola, amigos/namorada. O tamanho do circulo de cada um, devia corresponder ao tamanho da importância de cada uma destas coisas, na vida dele. O circulo maior, era o do futebol. Ligeiramente maior do que o da família. 

Se a miúda me mata numa linha férrea, o miúdo chuta-me para canto em prol de uma futebolada.
Agora vou ali deprimir um bocadinho, e já venho.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Golden Boy, Golden Girl

Esta semana dei umas palmadas ao miúdo.
Fica mal dizer que lhe dei uma tareia, dado os trágicos acontecimentos das últimas semanas, mas  o que sinto é que foi uma tareia, mesmo.
Porque não estou habituada a distribuir palmadas, e porque lhe dei umas quantas, ante ontem. Não sei quantas foram, não as contei, porque me foram saindo à medida das respostas dele. Mas sei que me ficou a doer a mão, que mesmo os açoites tendo sido no rabo, aquilo é só pele e osso (e músculo, muito músculo, que ele anda sempre a apregoar que está uma beast ).

 Foi mesmo antes de irmos para a cama, e detesto deitar-me chateada com qualquer um deles. Mas deitei-me, mão a arder, respiração ofegante, a sensação, não de ter dado uma tareia, mas de eu própria ter levado uma tareia.
Sonhei a noite toda, que o miúdo tinha o corpo marcado por consequência daquela (talvez) meia dúzia de palmadas que lhe dei. Foi só um sonho, tenho a certeza que as palmadas  me doeram mais a mim do que a ele. Também tenho a certeza que não é com palmadas que as coisas se resolvem, mas também sei que levei algumas e não morri. E verdade seja dita, que ontem acordou mansinho que nem um cordeiro, mesmo que eu saiba que é sol de pouca dura. E sei, tenho a certeza, que este é um longo caminho a percorrer, que o miúdo tem um feitio do pior, raios, que havia de sair à mãezinha dele.

Por conseguinte, a miúda ontem, andou todo o dia a apregoar ironicamente  que a mãe tinha dado uma tareia ao golden boy, e que viu o caso mal parado. Que por pouco, o golden boy ainda tinha de ir parar ao hospital (e imitava as minhas palmadas, como se de festinhas se tivessem tratado). E que ela, nunca na vida, me tinha respondido da forma como o golden boy me responde.

A minha miúda é sempre muito assertiva na forma como analisa as situações à sua volta. Para além de ser pouco emotiva e muito racional.  Mas denoto uma ligeira ponta de ciúmes relativamente ao irmão. Gerir duas adolescências tão distintas, também não é fácil. E já lhe disse que sou a mãe com mais sorte do mundo. Porque não só tenho um golden boy, como tenho a melhor golden girl que algum dia podia imaginar. Fez-me "pfff", em género está bem, abelha.