Querida Gaja Maria, a propósito desta nossa troca de galhardetes/confissões, aqui vai mais um segredo. Mas shiuuu, não contes a ninguém...
Eu não sei andar de bicicleta...
Ou pelo menos, e se isto salvaguarda um pouco a minha já diminuída reputação nas artes desportistas, eu ACHO que não sei. Corria a década de oitenta (anos dourados que já lá vão), e passava eu férias no monte dos meus avós, quando me aventurei em cima de uma bicicleta. Nunca tinha pensado em pedalar, eu era mais correr, e leve que nem uma pena, ainda que com asma, mas ainda sem vestígios de nicotina, corria que nem uma gazela. Mas o meu primo tinha acabado de receber uma bicicleta novinha em folha, último grito da moda, e mesmo gazela na corrida, era difícil acompanhar a pedalada dele. Foi então que anunciei aos meus avós que uma bicicleta talvez me desse um certo jeito. Trataram do assunto no próprio dia, que isto avós que são avós, fazem as vontades todas aos netos. Segui o meu avô até ao celeiro, e eis que vislumbrei aquela que seria a minha primeira e única bicicleta. Um exemplar de mil novecentos e troca e passo, outrora pertencente a uma prima, que era só uma dúzia de anos mais velha do que eu. Não me importei com as teias de aranha com que estava sobejamente decorada, nem com os vestígios de ferrugem circundantes. Montei-me em cima da dita, e sem ajuda alheia, comecei a pedalar. Pedalei o dia inteiro. Estrada abaixo, estrada acima, no momento de curvar toca a pôr os pés no chão, que não se podia pedir mais para um primeiro dia (nem uma queda, nem um joelho esfolado).
No segundo dia, e assim que o galo cantou, saltei da cama entusiasmada com o novo velho brinquedo. E aí, é que a porca torceu o rabo. Não aguentava as dores nas "partes baixas" vulgo pipi, perdi um dia de férias de correria e aventura, voltei a colocar a bicicleta no lugar de origem, e decidi fazer o resto das férias a correr que nem gazela. Foi assim, no cimo dos meus doze ou treze anos que concluí "pedalar não é para mim".











