O bicho não morreu, nem tão pouco se gregoriou, e um bem haja a todos os santinhos, também não houve caganeira ( o que eu temi por isto). Não fui com ele ao veterinário, chamem-me negligente, desnaturada e afins, mas andei demasiado ocupada nos últimos preparativos para enfiar a minha filha num avião, sem mim. Estive no entanto mais ou menos atenta, e apesar da prisão de ventre e da falta de apetite, o bicho não apresentava outros sinais de alarme. Entretanto, já defecou e contou-me o ex-rei ( que foi com ele à rua), que foi uma defecação em grande. Gloriosa. Quase ao nível de um pastor alemão. Está a salvo, portanto. (ufa)
Quando os meus filhos eram pequenos, contava-lhes sempre uma história, com um ensinamento inerente, onde existiam os reis e os príncipes (nós).Continuo a ser a Rainha do meu reino. Uma Rainha apartada do Rei , com uma princesa adolescente, um príncipe pré adolescente, e um reinado com as típicas ervilhas da vida...
domingo, 15 de fevereiro de 2015
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
Sobredosagem
A farmácia do meu estaminé, está na prateleira mais alta de um dos armários da cozinha. Fruto de um dos muitos cuidados que uma pessoa tinha, quando as crianças eram ainda, e apenas só, crianças. Esta farmácia caseira, anda a pedir há muito, uma organização/arrumação, a que eu não tenho dado a devida atenção, e acerca da qual tenho feito ouvidos olhos de mercador. Analiso apenas o prazo de validade quando preciso de alguma coisa, e depois empurro a caixa em género tudo ao molho e fé em deus. De modo que aquilo anda a modos que muito desarrumado, ao ponto de ontem alguém ter aberto o armário, e ter caído uma vinheta de omeoprazol para o chão, sem que esse alguém se tenha apercebido (e parece-me que esse alguém até fui eu, mas não me apetece ainda arcar com as culpas em cima do lombo, que não sei ainda, o que daqui poderá advir).
Acontece que quando regressei a casa, constatei que o bicho, o cão, tinha habilmente aberto os compartimentos dos comprimidos, tinha habilmente aberto as cápsulas dos mesmos, e tinha habilmente ingerido todas as bolinhas que as cápsulas continham, coisa que habilmente lhe deve ter sabido que nem ginjas, concluindo daqui, que o animal habilmente mamou seis omeoprazol enquanto o diabo esfregou um olho (nesta parte já poderei estar a exagerar, porque afinal de contas, o bicho teve largas horas para fazer este lindo serviço, e nunca saberei ao certo, o tempo real que habilmente usou para tal).
Habilmente agarrei numa vassoura e limpei todos os vestígios do crime, sacudi-lhe as sobras de bolinhas do principio activo que ainda lhe estavam penduradas nas barbas, não fui ler a bula acerca dos efeitos de sobre-dosagem porque coração que não vê, coração que não sente, olhei para ele e achei que estava com um comportamento completamente normal, e dei o assunto por encerrado.
Acontece que desde ontem, que o bicho não obra. Facto que me fez fecha-lo na cozinha, em género "quarentena" porque temo uma súbita diarreia a qualquer instante.
A alguma alma caridosa que por aqui passe, que esteja ligada à farmacêutica, medicina, veterinária, ou afins, me diga se há razões para me preocupar. É que os miúdos nunca me iriam perdoar (apesar de ainda ninguém se ter acusado em relação a tamanho descuido).
O animal é um daqueles cães "a pilhas" com três quilos apenas. Mas é o bicho mais lindo do mundo. Com um estômago/intestino revestido de omeoprazol.
Já fui à procura da bula, mas não encontrei (quiçá fruto da desorganização inerente)
Já fui à procura da bula, mas não encontrei (quiçá fruto da desorganização inerente)
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
Vais voar (sem mim)
- mãe, pela primeira vez vou viajar de avião sem ti.
- pois vais, filha. e nem imaginas o que isso me custa...
- mas não vais chorar, pois não?
vou fazer por isso. pelo menos, não à tua frente. que isto de ter fama de ter o saco lacrimal roto, e de chorar por tudo e por nada, já enjoa. vou fazer por controlar as lágrimas, e deixá-las cair no recanto da minha almofada, quando me sentir desasada, preocupada, mas ainda assim feliz, por ti, porque vai correr tudo bem, e tu vais passear, e conhecer duas ou três novas cidades, e sim vai correr tudo bem, estou sempre a acreditar nisso, que vai estar muito frio, mas que te vais agasalhar como te tenho recomendado, que não te vais constipar tão longe, e não vais precisar de usar o cartão europeu de saúde que te fui fazer a correr, não, não vai ser necessário, porque vai correr tudo bem, porque apesar de eu ficar com o coração apertadinho, assim do tamanho de uma ervilha, tu vais estar bem, vai correr tudo bem, e vais portar-te dignamente em casa alheia, e vais fazer a cama a preceito, como te tenho recomendado, e vais ajudar a arrumar a cozinha após as refeições, e vais dizer obrigada e se faz favor como sempre fazes sem que te seja preciso chamar a atenção para tal, e não te vais perder num país estranho, nem vais ser abordada por nenhum desconhecido mal intencionado, não, nada disso vai acontecer, e vai correr tudo bem, e vais estar feliz a cirandar ao frio pelas ruas de bruxelas, e vais usar a camisola térmica e os gorros e os cachecóis que te vou mandar, porque vais constatar que a mãe tem razão, e vão ser necessários, e vais visitar a casa de Anne Frank, e o que eu gostava de ir contigo, porque já te disse que foi a história mais marcante que li na minha adolescência, tinha talvez menos que a tua idade, e tu vais estar bem, e vai correr bem, e vais conhecer o museu Van Gogh, e eu gostava de estar contigo, porque te queria sempre perto, mas sei que precisas de ganhar as tuas asas, e voar, e estou a deixar-te fazê-lo, assim, devagarinho, a custo e a medo, porque o tempo também voa, e voa tão rápido, que não me preparei ainda para voos tão altos, mas tu vais, e eu não vou chorar, não à tua frente, talvez só uma lágrima ou outra no recanto da minha almofada, quando me sentir desasada e preocupada, mas ainda assim feliz, por ti, porque vai tudo correr bem. que vai.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
As 50 sombras sombreiam-me
A amiga da minha miúda afirma convicta "nós vamos ver as cinquenta sombras de grey". Dou uma gargalhada. A minha miúda olha para mim desconfiada. Não articula uma palavra. No que diz respeito a pedidos difíceis, a outra é que se manda para a frente. A minha é mais cautelosa. Digo que aquilo no mínimo deve ser para maiores de dezasseis e que podem tirar daí o cavalinho da chuva. Persistente, responde-me que já estão quase a fazer dezasseis, faltam apenas uns meses. Continuo a rir. Dá-me sempre para rir, quando os pedidos são estapafúrdios. A minha miúda continua a olhar para mim, desconfiada. Sabe que quando eu gargalho, o caso está mal parado. Diz numa voz quase sumida "também gostava de ir ver...". Vergastadas? apetece-me perguntar.
Não li o livro, mas já ouvi muitos comentários. Pergunto-me se saberão no cimo dos seus quase dezasseis anos o que é sadomasoquismo (inocente, eu?), pesquiso na net qual a idade mínima para assistir ao filme e parece-me que será dezoito. Bom argumento, penso. E depois lembro-me dos sites onde se podem ver os filmes sem controle, e penso que a miudagem já sabe muito bem contornar certos "nãos" adultos. E penso, bolas, que vou fecha-la numa redoma até fazer dezoito anos. Ou vinte. Ou trinta.
Pódio
No inicio do ano escolar miúdo chega a casa e diz que ficou em primeiro lugar no corta mato da turma. Mas que, como eu bem sei, atletismo não é com ele, ele é mesmo é uma pessoa de futebol, e como tal não está a pensar participar no corta mato da escola. Digo-lhe que nem pensar, que a professora é até capaz de se zangar com ele, porque o primeiro lugar exige que ele vá representar da melhor forma a sua turma.
No dia da prova, miúdo diz-me que vai participar, mas que sabe não vai ganhar e como não é uma pessoa de atletismo, vai por ir, só para a professora não se chatear com ele. Dou um ralhete, digo-lhe que o importante não é ganhar, é participar e acima de tudo dar o seu melhor. Independentemente de ganhar ou não, temos sempre de dar o nosso melhor. Decido ficar na escola, a assistir, e a perceber se se esforçou ou não, que feitiozinho danado.
Miúdo diz-me que é melhor ir-me embora, não gosta cá destas coisas da mãezinha a assistir. Não obedeço, afinal quem manda, ainda sou eu.
Miúdo faz uma prova exemplar, ganha com larga distancia, colegas gritam e aplaudem, sobe ao pódio, traz orgulhoso uma medalha para casa.
Passada a euforia, miúdo diz que não lhe apetece ir ao corta mato do concelho, porque não é uma pessoa de atletismo, é mais de futebol, e já sabe que não vai ganhar. Digo-lhe que nem pensar, que o primeiro lugar exige que ele vá representar da melhor forma o seu colégio.
Miúdo vai, professora diz-lhe que o melhor é partir nos lugares da frente, miúdo diz-lhe que nem pensar, "já viu bem os matulões que estão na frente? empurram-me, fico caído no chão, e sou esmagado a seguir".
Miúdo termina a prova, liga-me "fiquei em vigésimo sétimo". E isso é bom?, pergunto-lhe. "sim, deviam ser uns cento e tal".
Chega a casa, e anuncia à irmã de peito cheio,o vigésimo sétimo lugar. A irmã, que também já participou, diz-lhe que é excelente, e pergunta quantos participantes eram. "Eram duzentos e tal", diz-lhe ele. No dia seguinte conta ao pai, que em trezentos e tal, ficou em vigésimo sétimo. Solto uma gargalhada, e digo-lhe que se alguém lhe perguntar para a semana, quantos participantes eram, ele dirá uns dois mil, na certa. É que o numero vai aumentando exponencialmente de dia para dia.Diz-me que não, que a professora já lhe confirmou, e eram mesmo trezentos e tal. Tenho atleta. Não é, é de atletismo...
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
Plano B
-Então filho, como te correu o teste de matemática?
-Muito bem. Só tive lá duvidas num exercício, mas copiei pela Joana. Quer dizer, não sei se ficou bem copiado, porque sabes que copiar a matemática é muito difícil.
- Pois, mas não devias ter copiado. Devias saber faze-lo sozinho.
-Sim, mas eu não acho que tenha feito mal. Quando uma pessoa não sabe, passa para o plano B. E mesmo que o plano B não resulte por completo, pode dar um ou dois pontinhos. E um ou dois pontinhos podem ser a diferença entre um satisfaz e um bastante.
Esperteza saloia, digo eu.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
Injustiças
Também completei mais uma década o mês passado e não houve este alarido todo. Sinto-me um bocado defraudada, afinal não houve abertura de jornais, nem ilustres discursos. Não foram trinta anos, foram quarenta, mas até dizem que é a idade mais gira (estou pra ver).
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