quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Infinito. Sempre

A minha amiga, que tem uma filha, amiga da minha filha, e que por sua vez são da mesma turma, ligou-me:
-A tua já te ligou?
-Não. porquê? A tua ligou-te?
-Ligou. Já receberam a nota de português.
-E então?
-A minha teve dezoito, mas disse que não sabia a nota da tua, que tinha ido à secretaria e não tinha tido tempo de lhe perguntar.
-Hummm... não acredito nisso. A minha teve nega, de certeza. E isso foi desculpa.

Liguei. Não me atendeu. Mandei mensagem "filhota, então a nota de português? Um bj. Gosto muito de ti"

Duas horas depois, retribui-me a chamada:
-Olha mãe, não tive nega, não penses. Aquele teu "gosto muito de ti", foi mesmo do género, "mesmo que tenhas nega, não te vou expulsar de casa"... Tive uma treta de um doze.

Nunca me chateei  seriamente com uma nega (das poucas que recebeu ao longo da sua vida académica) desde que reconhecesse não ter sido por falta de empenho (o que neste caso, não seria, de todo), portanto concluo que não tenho dito tantas vezes (como outrora) o quão gosto dela(e). E que as notas,  melhores ou piores, não condicionam jamais o amor infinito que nos une. E que acima de tudo, só quero que sejam felizes.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Mentira. Pura mentira

Uma pessoa quando compra uma casa (ou a aluga ao banco - como quiserem - mas acha maravilhoso para o país, fingir que a casa é sua e pagar esse filha da puta do IMI ao estado), na maioria das vezes fá-lo porque necessita de mais espaço. Foi o meu caso, há uma parga de anos atrás.
Olha que bonita, esta sala espaçosa e airosa, uns quartos simpáticos, um terraço fantástico, uns roupeiros porreiros, muita arrumação, falta-lhe apenas uma despensa. Um mal menor. Um mal menor, quando se tem uma fantástica arrecadação com alguns dezassete metros quadrados. Um mimo. Problemas de espaço, é que não vamos ter.
Mentira. Pura mentira. Ao fim ao cabo, depressa se chega à conclusão, que a roupa está a modos que prensada dentro do roupeiro, e para vestir uma camisa em condições, é preciso (re)passa-la de manhã, à pressa, enquanto se rogam não sei quantas pragas, ao tamanho dos roupeiros, bem como à quantidade de roupa, que é tanta e parece sempre tão pouca.
Então olham-se para o dezassete metros quadrados de arrecadação, e rapidamente se traça um plano. Chama-se o carpinteiro, e depressa se monta um roupeiro que se destina à roupa da estação não vigente. Mandam-se fazer umas prateleiras até ao tecto para maximizar a arrumação, compra-se um escadote gigante (que o pé direito é bastante alto), e agora sim, temos sítio para arrumar tudo. A organização no seu pleno.
Mentira. Pura mentira. Em três tempos as prateleiras estão cheias. Cheias de tralhas que não se usam há uma mão cheia de anos, mas que não se deitam fora, porque ainda podem ser necessárias (mentira. pura mentira). E depois com os anos, às tralhas existentes acumulam-se novas tralhas, que não cabendo em casa, se levam para a arrecadação. E uma pessoa chega lá, abre a porta, e pensa onde vai encaixar mais esta prancha de bodyboard, e mais os fatos de bodyboard, e mais o calçado de verão, e mais os patins em linha. E encosta ali, no chão, nos poucos metros quadrados disponíveis. E uma pessoa pensa, tenho de vir dar um jeito nisto.
E quando se volta a precisar de lá entrar, para abrir o roupeiro e fazer a troca de roupa de verão para a de inverno (o drama a cada mudança de estação), uma pessoa descobre que as prateleiras do roupeiro que se destinavam a livros que não cabiam em casa, cederam com o peso, e os livros estão todos caídos no chão. E o acesso ao restante roupeiro está vedado pelas tralhas já colocadas ao calhas, e a cadeirinha de bebé  que estava arrumadinha no topo do roupeiro também caiu com todo aquele aparato (e uma pessoa pensa, que já não tem bebés, nem planeia mais nenhum, mas há o sobrinho, e os outros que hão-de vir,  e vá, ainda vai dar jeito).
E uma pessoa tenta empoleirar-se em cima do escadote gigante (que espaço não tem para abrir por completo por todas as tralhas espalhadas), e pensa, se me baldo daqui abaixo parto-me toda, fico aqui a ganir o resto do dia, e só me encontram já morta passados três dias. E uma pessoa desiste, vira costas, tenta esquecer o caos e pensa, tenho de vir dar um jeito nisto.
É hoje.
Caso a minha ausência seja prolongada, algures numa arrecadação, sem acesso a rede móvel, incontactável portanto, poderei estar eu, caída e submersa em tralhas que eu acho que ainda me fazem falta (mentira. pura mentira).

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Um problema tão meu

Uma grande amiga minha, acabou de me mandar a seguinte mensagem (privada) via facebook : "vi esta imagem, e lembrei-me logo de ti"


Querida amiga, obrigada por não o teres partilhado publicamente. Só os meus amigos mais íntimos sabem desta minha questão fisiológica/psicológica.
Mil e uma razões para jamais participar num reality show. Mas caso o fizesse, faria com certeza capa de revistas com uma hipotética gravidez, que não mais seria que uma barriga cheia de merda. 

sábado, 25 de outubro de 2014

Um quadradão do pior #2

Ainda a propósito do meu filho ser um quadradão do pior,
ontem de manhã, enquanto descíamos de elevador para a garagem, para mais um dia de escola/trabalho

Filha, dirigindo-se à minha pessoa: " essa camisa é mesmo gira, e fica-te mesmo bem. estás bonita hoje"

Filho: "isso é porque não estás a olhar para a camisa do mesmo ângulo que eu. porque se estivesses a ver por este ângulo, percebias que se vê que a mãe tem um soutien de lingerie branco"

Eu: "isso é porque não estás a olhar para o ângulo das minhas costas. se não, percebias que a nesga do soutien DE LINGERIE (?) que tu vês, é causado pelo peso que carrego às costas, que é nada mais nada menos, que a tua mochila de dez quilos. e tenho pena, mesmo muita pena da namorada que um dia te vai calhar na rifa"




quinta-feira, 23 de outubro de 2014

"bem-quereres de saudade"

"- Como se mede a saudade?" perguntou-lhe.
"- Mede-se em bem-quereres!" respondeu.
"- Tenho milhares de milhões de bem-quereres de saudade!" disse, então.

(roubado descaradamente daqui - onde vale a pena "passar" diariamente)

Saudades, tantas, dos locais onde outrora fui feliz.
Saudades, tantas, milhões (de bem quereres) sempre (de ti, avó).





quarta-feira, 22 de outubro de 2014

O peso do nome

Ainda a propósito do futebol em nossa casa.
O miúdo vai poder colocar pela primeira vez o seu nome nas costas da camisola (sim, que aquilo é um clube pobrezinho e não fosse o patrocínio de um pai, não havia cá destas mariquices).
Espantou-me o facto de se ter decidido por colocar o apelido. Sem pedir opinião, sem dar cavaco a ninguém.

- É para perpetuar o nome ? - Perguntei-lhe. O pai, o tio, o primo, foram todos jogadores profissionais a usar o apelido com orgulho nas costas.

- Não é bem por isso. É porque achas que eu tenho nome de jogador? Por acaso achas? Tu puseste-me um nome de miúdo. Conheces algum adulto com o meu nome? Achas que alguém me vai levar a sério em campo, com este nome nas costas?

(estou a refletir sobre o tema. ainda.)

A singularidade do isento

Cada vez acho mais que os meus filhos deviam substituir o tempo que passam agarrados ao telemóvel, por um bom livro. Não é tarefa fácil, mas juro que vou tentar.
Assim, a miúda, que está no 10º, e fez o seu primeiro teste esta semana, confessou-me que não sabia o significado de "singularidade". Assim como não compreendeu bem o texto, acerca do qual tinha várias perguntas de interpretação (estou a tremer com a nota que aí vem).

O miúdo, pediu-me para imprimir do site da Associação de Futebol de Lisboa, os dois  calendários de jogos, dos dois escalões onde está inserido. Não foi tarefa fácil, e constatei que há um sem número de clubes por este distrito fora, assim com uma fornada imensa de miúdos com pretensão  a jogadores da bola. Depois de impresso, verifiquei com agrado, que num dos escalões em que ele joga, há pelo menos quatro jornadas em que não vão jogar. O que me induziu a esperança de quatro sábados a poder dormir até mais tarde. Um bónus, portanto (pelo menos, para os pais).

-Então filho, vocês este campeonato vão parar uma serie de vezes...
-Não, não vamos.
-Vão, vão. Não viste o calendário?
-Vi, mas não vamos parar.
-Vão. Na segunda jornada param já.
- Não, não paramos. Vamos jogar com o ISENTO.
- Filho, o isento, não é um clube.
- Claro que é um clube. O isento é um clube.
-Não filho, não é. E tu nem digas uma coisa dessas no balneário, que isso é uma vergonha. O isento quer dizer que vocês estão livres, dispensados de jogar.

Olha para mim, meio corado, meio envergonhado, meio em pânico.

- Fogo, não acredito nisso! Então nós íamos jogar quatro vezes contra esses gajos!!!


(eu disse, um bónus para os pais. 
eu digo, gajos, o meu filho diz gajos?
eu disse, mais leitura. obrigatoriamente.)