quarta-feira, 22 de outubro de 2014

O peso do nome

Ainda a propósito do futebol em nossa casa.
O miúdo vai poder colocar pela primeira vez o seu nome nas costas da camisola (sim, que aquilo é um clube pobrezinho e não fosse o patrocínio de um pai, não havia cá destas mariquices).
Espantou-me o facto de se ter decidido por colocar o apelido. Sem pedir opinião, sem dar cavaco a ninguém.

- É para perpetuar o nome ? - Perguntei-lhe. O pai, o tio, o primo, foram todos jogadores profissionais a usar o apelido com orgulho nas costas.

- Não é bem por isso. É porque achas que eu tenho nome de jogador? Por acaso achas? Tu puseste-me um nome de miúdo. Conheces algum adulto com o meu nome? Achas que alguém me vai levar a sério em campo, com este nome nas costas?

(estou a refletir sobre o tema. ainda.)

A singularidade do isento

Cada vez acho mais que os meus filhos deviam substituir o tempo que passam agarrados ao telemóvel, por um bom livro. Não é tarefa fácil, mas juro que vou tentar.
Assim, a miúda, que está no 10º, e fez o seu primeiro teste esta semana, confessou-me que não sabia o significado de "singularidade". Assim como não compreendeu bem o texto, acerca do qual tinha várias perguntas de interpretação (estou a tremer com a nota que aí vem).

O miúdo, pediu-me para imprimir do site da Associação de Futebol de Lisboa, os dois  calendários de jogos, dos dois escalões onde está inserido. Não foi tarefa fácil, e constatei que há um sem número de clubes por este distrito fora, assim com uma fornada imensa de miúdos com pretensão  a jogadores da bola. Depois de impresso, verifiquei com agrado, que num dos escalões em que ele joga, há pelo menos quatro jornadas em que não vão jogar. O que me induziu a esperança de quatro sábados a poder dormir até mais tarde. Um bónus, portanto (pelo menos, para os pais).

-Então filho, vocês este campeonato vão parar uma serie de vezes...
-Não, não vamos.
-Vão, vão. Não viste o calendário?
-Vi, mas não vamos parar.
-Vão. Na segunda jornada param já.
- Não, não paramos. Vamos jogar com o ISENTO.
- Filho, o isento, não é um clube.
- Claro que é um clube. O isento é um clube.
-Não filho, não é. E tu nem digas uma coisa dessas no balneário, que isso é uma vergonha. O isento quer dizer que vocês estão livres, dispensados de jogar.

Olha para mim, meio corado, meio envergonhado, meio em pânico.

- Fogo, não acredito nisso! Então nós íamos jogar quatro vezes contra esses gajos!!!


(eu disse, um bónus para os pais. 
eu digo, gajos, o meu filho diz gajos?
eu disse, mais leitura. obrigatoriamente.)

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Precoce

Andava eu a cantar de galo, que a adolescência por estas bandas, até estava a ser de certa forma soft. Bem sei que às vezes me queixava, de uma ou outra coisinha na miúda, mas depois batia logo na boca. Que ainda a procissão vai no adro, e eu não me podia queixar. Uma santa a minha filha, uma santa nestas andanças conturbadas da adolescência. Por hora.
Bem sabia, que o miúdo estava prestes a pisar estes terrenos, tortuosos e possivelmente difíceis. Bem sabia, mas também sabia que isto nos rapazes dá-lhes um bocado mais tarde, o que me daria tempo de me ambientar à questão, e de alguma forma me preparar (alguém se prepara para isto?).
Cantei de galo, cedo de mais. O miúdo ou é precoce, ou está parvo de todo. Feitiozinho de merda, resmungão, a levantar garimpa, armado em engraçadinho, a reclamar das calças, da camisola, e do raio que o parta, agarrado ao telemóvel artilhado com códigos para que nunca alguém se atreva a espreitar quem envia tanta mensagem em tão curto espaço de tempo, a pentear minuciosamente a franja com gel, secador, mais para esquerda, um ligeiro toque para trás "tenho de ir cortar o cabelo", irritado com aquela penugem no lugar do bigode "mãe, arranca-me lá isto com cera", e a fazer um esforço desmedido para tomar as vitaminas que "têm um sabor nojento" mas lhe dão a esperança que o façam dar o tão esperado pulo, e o ponha ao nível dos outros miúdos da sua idade, que está farto de ser o mais baixo da equipa, o mais da turma, e o mais baixo da maioria dos miúdos mais novos que ele uns dois anos.
Por isso, olho para ele, rapazinho pequenino, no cimo dos seus doze anos empertigados e pergunto-me , isto é uma adolescência precoce, só pode ser, não é? 
(espero que sim, porque se for feitio, estou/estamos tramados) 

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Futebólódependentes Anónimos

Já tinha percebido que esta coisa do futebol no meu miúdo, é mesmo uma coisa intrínseca, que lhe sai por todos os poros da pele, que o faz feliz, que o anima.  Mas temo que se torne doentio, que se transforme numa obsessão, num vício, e quiçá tenha de ser eu a fundadora dos Futebólódependentes Anónimos. 
Joga em dois escalões, logo, treina em dois escalões. Horas, muitas horas. 
Sábado no escalão infantil, às 8:30 da manhã (repito, sábado: oito e meia da manhã) era suposto ter jogo treino. A equipa adversária não compareceu.
Quando desabafou comigo a injustiça do momento, fez um esforço para que ninguém visse aquelas duas lágrimas  traidoras, fugitivas, a quererem anunciar uma fraqueza/tristeza que a mais ninguém dizia respeito.
Domingo no escalão iniciados, às 9:30 da manhã (repito: domingo: nove e meia da manhã), era suposto ter o seu primeiro jogo para o campeonato. Mas tinha chovido a noite toda, o campo parecia uma plantação de arroz, e para tristeza dele, o arbitro mais não fez que o óbvio e razoável. Cancelou o jogo, adiado para outra núpcias. 
"eu ando a semana toda a acordar e a pensar quantos dias faltam para o fim de semana, para poder jogar, e depois é isto? nem um joguinho? nem um?"
Vais estudar para o teste de Português, disse-lhe, e assim ainda estás mais fresquinho.
Pedi-lhe que fizesse uma composição, "dá-me um tema" diz-me ele. De repente não me ocorre nada, e atiro "uma aventura no bosque encantado", coisa que dá pano para mangas, que é como quem diz, milhões de maneiras de dar asas à imaginação, que é como quem diz, não há desculpas "não me ocorrem ideias", o pão nosso de cada dia.
Aparece-me com uma página e meia escrita, eu penso que o tema foi de facto sugestivo, e leio. O primeiro parágrafo descrevia a sua incursão bosque dentro, e o aparecimento de um esquilo com uma pedra oca na mão. Devia tocar-se seis vezes na dita pedra, para entrar num outro espaço da floresta. Comecei a ficar entusiasmada, um esquilo com uma pedra (oca?), o pormenor dos seis toques, o suspense e a adrenalina perante um novo espaço encantado, já denotava alguma criatividade e imaginação. A coisa ia bem encaminhada.
Ultrapassado o primeiro obstáculo (que é como quem diz, seis ligeiras batidas numa pedra oca), eis que entramos num novo espaço geográfico. Um novo recanto da floresta, onde se avistava um belo campo de futebol. Novo obstáculo (embora não saibamos o objectivo do mesmo), uma partida de futebol entre a equipa dos batoteiros e ele (que depressa arranja uns comparsas para formar uma equipa, embora não saibamos se são outros humanos transeuntes como ele, ou um grupo de animais encantados - e não sabemos, porque esta descrição se faz em apenas uma linha). Todos os outros parágrafos são a descrição pormenorizada de um emocionante jogo de futebol. Com direito a minutos de jogo e tudo. A história termina da forma mais emocionante e heróica possível, quando ao minuto noventa mais três (atente-se ao pormenor 90+3 - significando que estávamos já em fase de descontos) com o jogo empatado, ele, ele mesmo, marca um belíssimo golo (com a descrição exacta de como o fez, incluso efeito da bola), terminando o jogo com uma vitória e um espectáculo nunca antes visto na floresta.
Corrijo os erros ortográficos (bolas, que este miúdo tem de ler mais), e peço-lhe que faça um convite, coisa que andam a treinar em aula. Pergunta-me o tema, atiro "convida alguém para o teu casamento". Torce-me o nariz, três minutos depois apresenta-me o resultado. "Exmo. Sr. Jorge Jesus, gostaria de o convidar para uma partida de futebol ..."
Penso pedir-lhe uma crónica. Desisto. Não me apetece ler a crónica daquele jogo, entre a equipa do Jorge Jesus e a dele. Digo-lhe, podes fazer uma pausa. Boa, diz ele, agarra numa bola e corre com ela nos pés.  

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Plausível;Acreditável;Credível

A minha miúda está no 10º ano.
Um destes dias, o professor de filosofia (disciplina que têm pela primeira vez na vida), perguntou numa aula se sabiam o significado da palavra "plausível".
Um dos colegas da minha filha respondeu "acreditável".
Perante esta resposta, o professor soltou uma gargalhada, dirigiu-se em passo apressado à sua secretária, puxou de um bloco onde escreveu a palavra proferida pelo aluno, e a sorrir justificou a acção:
"isso não existe. e não me leves a mal, mas eu estou a escrever um livro com as gralhas que os alunos dizem. tudo anónimo, ninguém vai saber que foste tu".
O miúdo, não sei se corou (se fosse a minha, corava na certa, que nem um tomate maduro e seria motivo para estar desconcentrada o resto da aula, a pensar no assunto), e nesse instante, outro aluno resolve atirar "credível". 
O professor olhando para o miúdo do "acreditável", diz "era isto que querias dizer, não era?"

Errar é humano. Os professores também erram. 
Para este professor não saber a existência da palavra em questão, não me parece credível, mas... dou-lhe o benefício da dúvida. O que já não me parece plausível, é este professor estar a escrever um livro acerca das gralhas que os alunos proferem em aula, sendo que, não estamos a falar de criancinhas do pré escolar em que a "coisa" até podia ter a sua graça. Estamos a falar  de alunos do secundário, entre os quinze e os dezoito anos no mínimo. Um professor deitar abaixo a confiança e auto estima de um aluno, perante o olhar de uma turma, é que não me parece de todo acreditável. Principalmente, quando a maior "gralha" foi a dele. 

Assim, espero que o referido aluno, tenha já elucidado o referido professor acerca  da referida palavra, sendo que, apesar de não ser (exactamente) o sinónimo pretendido, existe.

a·cre·di·tá·vel 
adjectivo de dois géneros
Que pode ser acreditado.


"acreditavel", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/acreditavel [consultado em 14-10-2014].

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Um quadradão do pior #1

Ainda a propósito do meu filho ser um quadradão do pior,
num jantar em nossa casa, com uma pessoa que nos visitava pela primeira vez:

O convidado a referir-se à minha pessoa: "Devias ter sido  decoradora de interiores"
O meu filho a dirigir-se ao convidado com os olhos quase a saltar das órbitas: "O quê? Aquelas pessoas que ajudam os outros a escolher cuecas e lingerie? Nem pensar!"

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Instagramizada

Já aqui tinha dito, que criei o meu facebook, por altura em que cedi à criação do da miúda. Para controlar e bisbilhotar e perceber o funcionamento da "coisa", e tal. Dois anos volvidos, estava já eu "batida" na questão, o miúdo também criou o seu. Tudo mais ou menos controlado.
Acontece que, o facebook passou a ser uma coisa de "pessoal mais velho" para não me dizerem cotas, com certeza., que levavam logo uma galheta.
Agora estamos na onda "instagram". Andei algum tempo a anunciar que também ia criar um, não que me apetecesse, que me fizesse falta, mas essencialmente pela mesma razão com que criei o face.
Cada vez que falava na questão ouvia logo um "mas 'pra quê?", vindo na maioria das vezes da parte do miúdo, que ás vezes parece saído do século passado (bem no início do século passado), um quadradão do pior.
Deu-me na mona, e criei o meu. A miúda veio, prontamente ajudar na instalação, deu dicas, mostrou-me o dela. O miúdo fez ar de rezingão, rezingou, e ainda me perguntou se eu andava com a mania que era fixe.
Publiquei umas quantas fotos, tornei-me seguidora de umas quantas pessoas, deixei-me seguir por outras tantas. Até aqui tudo bem. Dias volvidos, descobri que existem regras. Passos que não devo dar, sob pena de ver a minha pessoa assim a modos que enxovalhada,  neste mundo do "insta".

Assim,
Dicas e regras dela:
Nunca publicar mais do que uma foto por dia, para que não pensem que estou desesperada ( WTF ! desesperada? mas desesperada porquê ? bem, assim com'á assim, não publico, que desesperada não estou, a não ser por mais uns trocos na carteira, e isso o insta, ainda não prometeu pagar-me por publicar o que quer que seja) 

Não colocar gostos em tudo o que vejo, para que não pensem que estou desesperada (outra vez?)

Colocar o meu perfil privado, para que só me siga, quem eu aceito (desta gostei. sinal que eles aprenderam as regras que lhes incuti no face, embora aposte que  não conhecem de verdade, todos os seguidores que têm)

Não fazer comentários ridículos em fotos deles (entenda-se meus filhos. bom, isso ás vezes é relativo. o que para mim não é nada ridículo, é muitas vezes para eles ridiculíssimo, mas, prometo tentar. palavra de escuteira que nunca fui)

Não publicar fotos deles, sem o seu consentimento ("oh mãe, tira essa foto! 'tou nojenta/o!" - bom, também nunca lhes disse que uma mãe instagramizada, tem de cumprir todas as regras dos filhos, pois não?)

Dicas e regras dele:
Uma mãe, nunca devia ter Instagram (é um filho azarado, coitado)

Uma mãe não devia ter a mania que é fixe, e armar-se em adolescente, e criar Instagram (este filho é meu?)

Uma mãe, além de não poder usar decotes(ainda que discretos), mini-saia, ou qualquer indumentária que denuncie as suas formas, também não devia poder usar um integram (juro, que não sei a quem saiu. juro)

Uma mãe, não devia ter seguidores (mas tem. poucos, mas tem)

Uma mãe, devia limitar-se única e exclusivamente ao papel de mãe (o que para esta mãe, implica seguir os seus filhos nas redes sociais...)

Pronto, ficam as regras para as mães que se quiserem instagrar, ou instagramizar, ou o raio. Essas malucas, doidivanas, e armadas em miúdas, como eu.