segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Nova etapa

 
 
Uma nova etapa.
Inicio do ano escolar. Mudança de ciclo para os dois. Ele no terceiro, ela no secundário meu Deus, como é que o tempo passou assim tão rápido ? . Quando o despertador tocou tentei pensar no dia em que vou poder acordar sem aquele toque irritante. E depois concluí : não vou. O miúdo a jogar futebol em dois escalões (este ano deu-lhe para isto - a ele e ao "mister"), vamos ter jogos matinais (muito matinais), sábados e domingos.
O dia amanheceu cinzento, para nos fazer lembrar que vai ser assim, nos próximos meses, muito embora ainda seja verão. Os miúdos não saíram de casa com a excitação de outrora, nos primeiros dias de aulas. Arrastaram os pés, com pouca vontade, e eu pensei se seria um bom prenúncio para uma nova etapa como esta.
Fui busca-los cedo, ansiosa por saber como tinha corrido. Estavam os dois de poucas palavras. Puxei a saca rolhas. "Qual foi a melhor parte do dia?" perguntei. "Esta. Em que nos vieste buscar", disse-me ela.
Decidimos ir comprar o material escolar. Afinal, esta malta ainda não entrou foi no ritmo, pensei. Os outros trezentos pais que estavam na Staples, devem ter pensado o mesmo que eu. O ar condicionado não estava a funcionar, e apesar da chuva, lá dentro era verão. Um verão tropical, abafado e húmido. Comecei a desesperar e ordenei que escolhessem tudo rápido. Péssima ideia, concluí ,na hora de pagar.  O miúdo até se deu ao luxo de escolher um conjunto de esferográficas que custaram dez euros. Dez euros para perder na primeira semana. Mas são de gel. Um espetáculo de canetas, informou-me.
Reclamei a conta, falei da responsabilidade, das prioridades, do empenho esperado.
Até chegarmos a casa, atropelaram-se a contar-me todos os pormenores do primeiro dia de aulas. De seguida, e sem que lhes tivesse pedido, arrumaram todo o material, identificaram cadernos, prepararam mochila.
Temos atitude, pensei. Venham os frutos.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Quantos anos, ainda?

 
 
Cabe-me a tarefa de levar a filha e as amigas à "vogue fashion night out".
No ano anterior estive lá. Com elas. Gosto mais do que devia de moda, de roupas, de sapatos, de malas. Mas não nessa noite. Mas as miúdas acham piada e comprometo-me a acompanha-las, mais uma vez.
Sim, eu vou convosco, confirmo. "mas vais lá ficar sozinha, mãe? é melhor arranjares uma companhia" diz-me ela, com um piscar de olho. Percebo. Cabe-me a tarefa de taxista mais uma vez. Percebo o piscar de olho, e arranjo programa.
As recomendações do costume. As minhas. As das mães das amigas. A ultima recomendação "tracem as malas. Estejam atentas aos telemóveis".
Sigo para o meu jantar. Mas sigo preocupada. Ligo só para confirmar que está tudo bem. Não me atendem. Nenhuma, das três. Mastigo o bife com dificuldade. Sei que não sou muito descontraída no que diz respeito às saídas da(s) miúda(s), mas não consigo ser de outra forma. Talvez com o tempo me habitue não acredito. Não me retornam as chamadas, e tento de novo insistentemente.
Atendem-me com uma boa disposição estonteante, e descarrego a fúria e os nervos, percebendo de imediato que nenhuma delas entende, "não há motivos para preocupação".
Vou busca-las à hora combinada, meia hora mais cedo do que o solicitado. Nervosas. Uma delas tinha perdido a carteira. Embora não soubesse como. Não mexeu na mala, não precisou da carteira. "foste assaltada", digo-lhe. "impossível", diz-me ela.
Converso com um policia, aconselha-me a fazer queixa de imediato. A miúda tinha todos os documentos na carteira. Pergunto se não sendo a mãe da lesada, posso apresentar queixa. Diz-me que sim. Procuro a esquadra. Penso que só lhes faz bem acompanhar-me no processo, para que percebam alguns dos motivos de preocupação. Na esquadra dizem-me que não posso apresentar queixa. Não sou a mãe entendam-se, penso furibunda. Mas conto o sucedido. Ela insiste que não foi assaltada. O policia ri-se. Conta-lhes umas histórias, e termina o relato com "isto é um abre olhos".
Pela manhã, acordamos com a noticia do aparecimento de todos os documentos numa estação de comboios. Podemos ir recolhe-los à esquadra. Dá-me vontade de lhes bater quando as oiço presumir que "a carteira deve ter caído da mala, algures". Dou um grito. Pergunto se por acaso andaram de comboio. Assim como as outras dez pessoas que também têm documentos para recolher na mesma esquadra, já que foram  encontrados todos juntos, na mesma estação. Sem as carteiras. E sem o dinheiro, pois claro.
Quantos anos de adolescência ainda pela frente?

O que assenta na pele

"Esta semana não podemos jantar com o teu suposto amigo, mãe", diz-me ela, a filha, e faz o sinal de aspas, com as mãos, quando diz suposto amigo.
"Tenho as noites todas ocupadas, e esta é a ultima semana de férias". Pois claro, penso eu, as noites todas desta semana, assim como foi todo o verão. Digo-lhe que não há problema, nem pressa, e não há. Afinal a adolescente é ela, embora ultimamente tema que me olhem como tal.
Sinto-me como que a pisar um chão que não é bem o meu, sinto-me no papel invertido e na insegurança da aprovação. Um conjunto de sentimentos que  parece que não me assentam na pele, misturados com tantos outros que me assentam tão bem.
Ainda não é esta semana, penso. E respiro fundo.
 

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Para quem esteve off, como eu...

e depois de não ter dado atenção nenhuma a redes sociais, hoje que me debrucei um bocado sobre a questão, é o que me ocorre dizer:

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Pós Férias

Quando estou de férias não escrevo. Quer'se dizer, posso escrever uma ou outra (ou muitas) sms, a quem me interessa. Mais nada. Falo pouco ao telemóvel (o que faz com que a bateria excecionalmente, consiga neste período, durar mais do que vinte e quatro horas, mas, afinal, o dito também precisa de férias e descanso).
Enervam-me todas as chamadas de trabalho que tenho de atender, e as pequenas coisas que vou tentando resolver à distancia.
Tirando isto, produzo pouco mais. Cozinho uma ou outra vez, e reservo-me o direito de estar de papo para o ar, agora que os filhos já são crescidos, e já não preciso estar tão atenta, tão embrenhada em arranjar tarefas e brincadeiras, castelos na areia, poças de água, mante-los quietos debaixo de uma sombra.
Consigo sair para a praia, sem me sentir  um burro de carga. Um saco apenas, com a minha toalha e a do miúdo, já que a miúda se encarrega do seu próprio saco.
Consigo dar apenas dois ou três berros, quando eles embirram (mesmo) muito um com o outro (crescidos, mas ainda não ao ponto de lidarem na perfeição com a personalidade de cada um).
Consigo descansar, chegando às dez da noite esgotada (que isto, as férias também cansam).
Consigo comer e beber muito. Muito mais do que a conta. Consigo gastar muito em restaurantes, pouco me importando com o que vou pedir, o que vou pagar e apenas pensar nisso quando olho para a conta bancária, já em casa que de férias não vale a pena criar pânicos, e  auto mutilar-me pela quantidade de dinheiro que gastei, para se esvair sanita abaixo (melhor: parte, sanita abaixo. a outra parte está cá. transformada no mínimo em três kg a mais. dado ainda não confirmado, para não entrar em depressão ainda mais profunda pelo regresso ao trabalho)
 

quinta-feira, 31 de julho de 2014

A arte de ser sucinto

Querida Maria Tu (há já algum tempo que te trato tu cá tu lá, perdoai-me a ousadia, rainha mal educada, esta), a propósito da tua recomendação abaixo,

Adolescentes, pá! (Tens a certeza que não dá para falarem dia sim dia não? Manda sms que é mais fixola!)

Beijinhos Marianos, Rainha! :)



a qual muito agradeço, relativamente a este meu desabafo, tenho a dizer-te o seguinte:
SMS, não funciona. As respostas são curtas, breves, ou nulas. Em género: "então filhote, está td bem?", horas depois "td". Assim, seco, duas letrinhas apenas.
Já tentei outro meio. Vou vendo as poucas fotografias que posta (posta, de postar, de post, espero estar a fazer o desígnio correto, que isto hoje em dia, corro o risco de estar constantemente démodé, cota, ultrapassada) no facebook, e clico em "gosto". Mas eis que, se me insurgiu dentro de mim a ousadia de comentar uma delas. Foi assim uma vontade, um impulso, mais forte que eu.  E nas poucas chamadas telefónicas que ainda me dá o luxo de atender, diz-me com voz furiosa "oh mãe, pára lá de te armar em fixe, andas a comentar as minhas fotos pra quê?".
Ontem, disse-lhe que tinha visto uma foto dele muito gira, no instagram. "mas tu agora também tens instagram???" , pois, não tenho. Essa ousadia, vontade, impulso, ainda não se apoderou da minha pessoa. Vi no da irmã. Mas confesso que estou tentada a faze-lo. Palpita-me que o gajo deixou de postar, para passar a instagrar (mais uma vez não sei se o termo está correto, mas soa-me tão bem assim, que me sinto mesmo fixe), só porque eu não tenho instagram. 
Ainda não entrei em modo depré, porque amanhã já vou ao encontro dele, e vou-lhe dar tantos abraços, beijinhos, e amassos, que ele vai ver o fixolas que é (e a seguir, estou capaz de lhe dar o sermãozito da ordem).
Assim com'á assim, continuo a pensar (e vai servindo de consolação) que isto é uma fase da idade, e mais típica nos rapazes. O filho de uma amiga minha, fez a sua primeira incursão na Praia Grande, com um grupo de amigos, aqui há dias. A mãe, raladíssima (raladíssima, também é um termo giro, mesmo típico de minha mãe, o que me tira logo o rótulo  fixolas), implorou-lhe por noticias amiúde. Caso contrário, não o deixaria ir. Após longa conversação e negociação acerca do assunto, chegaram a um consenso. E digo-te, nunca vi uma mãe tão feliz por receber de hora a hora, uma sms com um... ponto final. Percebeste bem? Um singelo : .
(estás a imaginar o ar dela? Ufa! um ponto final... não foi engolido pelo mar...)



terça-feira, 29 de julho de 2014

Cantar de galo

O meu pinto macho, está de férias noutra capoeira. Uma galinha amiga levou-o para Algarve, a passar férias na companhia dos seus pintos (todos machos, que o meu pinto já andava a desesperar de tanta fêmea à sua volta).
E esta mãe galinha, ficou novamente desasada.
No segundo dia de ausência à noite:
 
-Então filhote, a mãe já tinha ligado, não atendeste... Não me telefonas, não me dizes nada... (com voz melosa, saudosa, a apetecer agarra-lo e tê-lo de volta ao ninho)
 
- Atão, mas não falámos ontem? É preciso falarmos todos os dias?
 
- Se é preciso falarmos todos os dias? Claro que é! (com voz incrédula, estupefacta, ainda na leve espectativa de que ele esteja a reinar comigo)
 
- Mas há necessidade disso? Não vejo qual é a necessidade disso. A sério que não vejo.
 
-Ai não vês? Pois olha, eu explico-te a necessidade. Tu és meu filho, tens doze anos, percebes? Ainda não saíste de casa. Estás de férias longe, quero saber de ti,   quero e vou falar contigo todos os dias, estamos entendidos? Vê lá se não queres que ponha pernas ao caminho e te vá aí buscar. (com voz zangada, irritada, vontade de lhe dar uns açoites no rabo, caso o tivesse no ninho)
 
 Bolas, que anda uma galinha a criar um pinto para ele achar que já canta de galo ainda antes de se lhe vislumbrar uma crista.