quarta-feira, 28 de maio de 2014

Mea culpa.

Eu, culpada me confesso.
Não exerci o meu direito de voto no domingo, e contribuí para a larga percentagem de abstenção.
Não é um acto do qual me orgulho (antes pelo contrário).
Mea culpa. Mea culpa.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Em estado de pré coma

Razões para uma prolongada ausência no blog...
O miúdo fez anos.
Às vezes pergunto-me como tenho estaleca (energia) para tanto. Os dois a festejarem aniversário no mesmo mês, dois mega jantares (preparar um jantar a meio da semana para trinta pessoas, para mim é mega), cozinhar em barda, sobremesas e bolo (obrigada BFF pela ajuda no segundo jantar na questão da doçaria), desarrumar e sujar em barda, limpar e arrumar em barda, e quando está tudo um brinco, o miúdo anuncia que não quer fazer uma festa com os amigos, quer  assim uma coisinha mais simples, juntar apenas uma meia dúzia de amigos em casa, e um lanche (boa, penso eu).
Faz-se a vontade a sua excelência. Convida-se a meia dúzia de amigos.
Sábado, era o dia. De manhã joga-se o último jogo do campeonato (de braço completamente ligado e imobilizado, mas joga-se pois claro, que isto de ficar de fora, não cabe na cabeça do miúdo), termina-se o jogo, e assim, num ápice, a meia dúzia de convidados, passa a uma dúzia (a bem dizer, toda a equipa de futebol).
Alguém se lembra da final da champions, e assim num repente, o lanche combinado, estende-se para um jantar a fim de verem em conjunto o jogo.
Casa cheia, algazarra, banhos de piscina (muito embora estivesse um frio de rachar), banhos de banheira (para aquecer alguns quase roxos e hipotérmicos), roupas, ténis, toalhas e afins em barda, lanche em barda. Futebol dentro e fora de casa, varão e cortinados no chão (não sem antes terem caído em  cima da cabeça de um, provocando um ligeiro galo), curativo no pé de outro que deixou uma ligeira fatia do calcanhar numa pedra, e a festa (não, não era uma festa, era apenas um simples lanchinho) prosseguiu.
Início da champions, guerra para apanhar o melhor lugar do sofá, sala de pantanas para que suas excelências ficassem todas bem refasteladas, vinte e oito bifanas a fazer, doze litros de sumos e colas, carcaças abertas ao meio, intervalo e janta(rada).
 A recolha das criancinhas seria no apito final, mas o jogo prolonga-se.  A algazarra prolonga-se.
Os moches sucedem-se a cada golo do Real, o braço do miúdo ressente-se do ensanduíchamento, o jogo termina, e um a um, começam a ir embora.
Sobram quatro. Para dormir (uns dias antes : "mãe como é só um lanchinho, posso convidar uns para dormir?").
Faz-se a vontade a sua excelência. Camas para todos. Casa semi arrumada. Silêncio às duas da manhã.
Eu, em estado de pré coma, ainda a recuperar.
Sua excelência, o miúdo, feliz.
 
 

terça-feira, 20 de maio de 2014

Dores de crescimento

Este fim de semana tive (mais uma vez) a constatação de que ao trazermos outras vidas a este mundo, passamos a partir desse momento a acrescentar essas vidas e essas vivências à nossa. E com elas, carregamos tudo. O amor, a alegria, as tristezas, os sucessos e os insucessos. E a dor. As dores de crescimento são inevitavelmente difícieis (mas necessárias). Já passei por elas, passo agora novamente através deles. 
O miúdo teve mais um jogo este fim de semana.
Num lance disputado caiu mal e magoou-se num braço. Eu percebi que ele se tinha magoado a sério, caso contrário nem se teria queixado. Continuou a jogar. Percebi que ele estava mal. Comecei a ficar em nervos. Apetecia-me gritar, para ele, para o treinador, para alguém. Não o fiz. Nunca o faço. Vejo o jogo, impávida e serena (uma serenidade apenas aparente). Dez minutos depois, foi ele quem pediu para ser substituído e saiu em lágrimas. Lágrimas pelas dores, mas acima de tudo por abandonar o jogo, a equipa. Foi a custo que o arranquei dali, rumo ao hospital.
O pior cenário não se comprovou. Nada partido. Tendões e ligamentos afectados, braço ao peito até parar de doer. 
Durante todo o fim de semana dezenas de vezes a mesma pergunta. Se no próximo fim de semana estará recuperado para jogar. Porque mesmo que não esteja, quer jogar. Porque é o ultimo jogo. (porque está mal habituado, porque joga sempre e nunca é substituído) Porque vive aquilo com paixão e dedicação como se não houvesse amanhã. 
Ele sofre com esta angustia. Eu sofro com ele.
Depois penso nos sofrimentos que ainda aí vêm. Dele. Dela. A primeira paixoneta, o primeiro desgosto de amor. E nestas dores de crescimento que os vão acompanhar, e que eu vou acompanhar com eles. Que fazem parte, que são importantes para o seu desenvolvimento enquanto pessoas, mas que doem. 


quinta-feira, 15 de maio de 2014

Dos momentos em que a hesitação pode sair cara

O meu miúdo é benfiquista.
Foi por isso ontem, bastante desolado para a cama. 
Aconcheguei-lhe os lençóis, e disse-lhe aquilo que não serve de consolo, não é  reconfortante, mas que de alguma forma mostrava o meu apoio e a minha solidariedade neste seu momento de profunda tristeza : "mereciam ter ganho mas deixa lá. Fica para a próxima".

-Sabes mãe, o que me chateia é que nos penáltis uma pessoa não hesita. Tu chegas lá, escolhes o lado da baliza para onde vais rematar, mas não olhas para esse lado, para o guarda redes não adivinhar. Depois inclinas um pouco o corpo para o lado contrário do remate e ainda baralhas mais o guarda redes. E depois com força, rematas. E é golo. Não hesitas, sabes mãe? Não hesitas. 

Em tantas outras noites, fui eu a dar um ensinamento ao miúdo, nas centenas de histórias que inventei nesse intuito. Ontem fui eu quem recebeu um ensinamento. Na vida por vezes temos momentos de hesitação. Aprendi ontem que a marcação de um penálti não é um desses momentos. 






quarta-feira, 14 de maio de 2014

Vivam as pulseiras de elásticos!



Sempre tive uma tara por moda, roupas, sapatos, malas, e afins.
E hoje posso dizer que estou na moda.

Já tenho uma pulseira de elásticos, oferecida pela filha da BFF, que isto cá em casa é tudo muito pouco dado às artes manuais. O miúdo então, foge delas como o diabo foge da cruz ( não foi à toa que teve um mísero 3 a EV e ET as duas disciplinas que requerem o jeito com as mãozinhas "mas alguém quer ser evêtista ou etista na vida?" diz ele).

Assim, e sendo que estamos numa época de vacas magras, estar na moda por tuta e meia é o que se quer. E vivam as pulseiras de elásticos! 

terça-feira, 13 de maio de 2014

Nunca fiando.



Hoje almocei no Lx Factory. Aquilo é mesmo a minha cara, ou como diria a minha filha, a minha onda. 
Uma mistura de velho e de antigo, uma mistura de novo e moderno, um toque grunge, um toque vintage, e depois de meio jarro de sangria, um toque de tudo e mais alguma coisa, que o efeito ainda nem passou por completo. 
A festa de aniversário da miúda vai ser lá. 
Aquilo é tão a minha cara (e a minha onda)  quanto é a dela, por isso (embora ela  ainda não saiba desta variável)  ,  enquanto a grupeta dela janta no restaurante que escolheu, eu e a minha grupeta jantamos mais ao lado. 
É a chamada liberdade lenta (e camuflada ). Porque depois do que o gerente do restaurante me contou destes grupinhos de miúdos (tão recém) adolescentes ( nada que eu não soubesse ), nunca fiando. 


A febre dos cromos cria ilusões tão boas

Ontem, à chegada ao colégio:

Eu- Então filho? O teste de matemática correu-te bem?
Ele- Correu muitoooo bem, mãe! Muito bem mesmo! (enquanto me afagava os cabelos com as duas mãozitas num gesto quão carinhoso, quão raro assim, publicamente).
Eu- Mas era fácil?
Ele- Não mãe. Era muito difícil mesmo. 
Eu- Mas correu-te bem?
Ele- Correu. Compraste-me cromos para a caderneta?
Eu- Não. Estão esgotados. Mas fizeste tudo, no teste? 
Ele- Não. Deixei uma. 
Eu- Deixas-te uma? Então isso é que é muitoooo bem?
Ele- Deixei uma, e houve lá mais duas ou três que tive dúvidas... Sabes, aquilo não se podia usar calculadora, e então... então olha, houve lá uns cálculos que já sei que devem ter saído assim um bocado mal. Arredondei, 'tás a ver? O teste era bué lixado, mesmo. 
Eu- Então afinal não te correu bem?
Ele- Bem... correu assim para Satisfaz, 'tás a ver? Tipo isso. Mas amanhã fazemos a segunda parte do teste e sei que me vai correr melhor. Achas que amanhã já há cromos?

Hoje vou calcorrear todas as papelarias deste universo e do outro em busca de cromos do mundial. E vou ficar na ilusão (durante uns dias) que o teste de hoje, lhe vai correr assim para, tipo, excelente.