segunda-feira, 14 de abril de 2014

É amanhã, o dia.

 
 
É amanhã. É amanhã o dia.
Desconfio que tirando o facto de termos que levantar o rabo da cama às cinco da manhã, os miúdos, pouco ou nada vão dormir. O fazer as malas hoje (que o miúdo está-se bem a borrifar para essa tarefa, preocupando-se apenas com as eletrónicas e carregadores das mesmas), e a excitação inerente, vão dar azo a uma noite agitada com toda a certeza. E energia precisa-se, para as longas caminhadas que se avizinham, nessa cidade tão cosmopolita, que estamos prestes a conhecer.
Está quase. E é amanhã o dia.   

domingo, 13 de abril de 2014

Das coisas boas da vida

Das coisas boas da vida.
Reencontrar uma pessoa, quase vinte anos depois.
Conversar como se vinte anos não tivessem volvido.
Gostar do reencontro, porque há amizades perdidas no tempo que vale mesmo a pena reencontrar.



sexta-feira, 11 de abril de 2014

Um teimoso nunca teima sozinho

Se há coisa que a minha BFF é, é teimosa. Ela diz que a teimosa sou eu. Já diz o ditado, que um teimoso, nunca teima sozinho. 
Hoje, a falar sobre o calçado mais adequado a levar à viagem que se aproxima, diz ela:

eu devia era levar uns ténis iguais aos que a J. recebeu ontem de presente. uns meireles.

Eu tinha visto os ténis. 
Teimámos com o nome dos ténis. 
Insistimos cada uma na sua teoria, quanto ao nome. 
Acabei por dizer-lhe :

pronto. tens razão. deve ter sido aquele estilista português, muito conhecido que inventou os ténis. O João Meireles. 

Adorava ir à loja com ela, só para a ver  pedir para experimentar uns meireles destes. 


Uma volta no carrossel do pintas.

Atrasada para almoçar com uma amiga, decidi deixar o carro à porta, e apanhar um táxi. Seria mais rápido, mais cómodo, e até talvez mais barato (a avaliar pelo preço dos parques de estacionamento da zona para onde ia). Ainda nem tinha posto a segunda perna dentro do habitáculo, nem tinha ainda dito boa tarde quero ir para, já o senhor dizia ora entre, que isto hoje está um belo dia de sol. Ora entre, não era a forma mais comum de brindar um cliente à entrada no táxi, já o está um belo dia de sol, pareceu-me uma frase mais que comum, dadas as circunstancias e decidi não me baldar dali para fora. Talvez aquela frase não quisesse parecer aquilo que me tinha parecido, em género, ora entre , está um belo dia de sol para uma volta aqui no carrossel do pintas. Digo boa tarde, quero ir ali para a praça do comércio. Senhor taxista, responde para o terreiro do paço? está um belo dia para almoçar à beira rio. sabe que há milhares de anos atrás, os primeiros habitantes de lisboa tinham muito peixe ali no rio. agora já só há camarão mas deve ser camarão doente. Ali em Cacilhas já os vi a apanhar muito camarão. e depois devem vende-lo aí em restaurantes e uma pessoa nem sabe o que é que está a comer. Penso que uma pessoa anda sempre a aprender. Ele emenda quando digo praça do comercio, numa clara alusão a que aquilo é o terreiro do paço. A mim tanto me faz. Ainda este período o miúdo fez um teste de história sobre o tema, e tenho portanto ainda presente que depois do terramoto se passou a chamar praça do comercio. E tenho presente também que a miúda numa escala mais avançada, também fez um teste sobre a mesma matéria, e até lhe saiu a pergunta do porquê do nome. E o que era suposto ser uma resposta de desenvolvimento, ela respondeu "porque tinha muitos comerciantes", assim, nu e cru, o que lhe valeu um zero na resposta, e um belo dum satisfaz na nota. Portanto, esta estória da historia está fresca que nem uma alface na minha memória, mas como dizia, tanto me faz uma coisa ou outra. O que eu não sabia é que em Cacilhas há camarão, e que até  posso já ter comido o belo, aí num restaurante qualquer. É que a ideia não me agrada. Mas, não tenho tempo para pensar muito nisto, porque enquanto finjo estar distraída a mexer no telemóvel, senhor taxista continua a sua lição do dia (ou uma das muitas). isto hoje está um belo dia, é para ir almoçar à beira mar. ali em carcavelos deve estar ao rubro. hoje devem ser só surfistas. é só miúdos. que eles vão com o bom ou o mau tempo. baldam-se às aulas e as mãezinhas pensam que eles estão na escola e eles andam a surfar. às vezes paro lá para comer um gelado e é vê-los ali todos contentes, e os paizinhos a trabalhar descansados. Penso nos meus filhos, e se algum dia estarei a trabalhar descansada, enquanto eles vagueiam nas ondas do mar (ou noutras ondas quaisquer). Mas não tenho muito tempo para pensar nisto, porque enquanto continuo a fingir mexer no telemovel, senhor taxista continua, quase sem respirar. olha, olha, este gajo do autocarro nem olhou, viu? isto agora com as novas leis é uma rebaldaria. agora sabe que se um autocarro estiver a sair da paragem a senhora é obrigada a dar passagem? mas eu também sou um transporte publico. atão como é que isso fica? é como os ciclistas. antes tinham de andar em fila indiana, uns atrás dos outros, agora podem andar todos aos magotes no meio da estrada, que um gajo tem de ir atrás deles.Penso nestas novas leis a que senhor taxista se refere, penso que todos os dias na zona onde vivo ando atrás destes magotes de ciclistas, mas não tenho muito tempo para pensar no assunto, porque está um belo dia, e senhor taxista não se cansa de o dizer mas bom, bom, deve estar na costa da caparica. aí é que deve estar uma categoria. o ano passado ia lá sempre. à tarde. sentava-me a comer um gelado, um magnum, sabe? o ano passado havia um magnum que era o beijo apaixonado. bem, aquilo, escorregava memo bem. eu esgotei-os todos. aquilo era uma daquelas edições limitadas, sabe? esgotei com aquilo. comia todos os dias. é que escorregava memo bem o beijo apaixonado. Olho para estrada. Vejo que estamos quase a chegar à praça do comércio barra terreiro do paço, e por isso não vale a pena mandar para-lo antes do tempo, e qual beijo apaixonado, escorregar dali para fora. 

terça-feira, 8 de abril de 2014

Oh apetite, volta pr'a trás...

 
 
No ultimo ano perdi várias coisas. Entre elas, uns quantos kilos. Andei meses a ouvir que estava muito magra, que tanta magreza até me ficava mal, que tinha de me pôr a pau porque ainda ficava doente, e uma serie de reparos à volta da minha silhueta magrela. Não fiz nenhuma dieta maluca, simplesmente fui perdendo peso, porque simplesmente fui perdendo o apetite. Nunca fui gorda, mas dos trinta e três (anos) em diante, comecei a ganhar um kg por ano. Era o tipo de engorda gradual. Aquela que não se vai dando conta, mas ao fim de uns anos está cá. Instalada. A vantagem de perder uns quilos, foi exatamente essa. Lembrar-me de que eu era assim, há uns anos atrás, sem preocupações com o pneu(zinho) abdominal ou com o vestido que não assentava bem. E isso fez-me sentir melhor. Recuperei três kg dos perdidos, quando comecei a viver a situação inversa. O vestido que não assentava bem, porque boiava, as calças que teimavam a cair. E fiquei no peso ideal.
Nos últimos dois meses engordei dois kg. O apetite voltou, aliado às jantaradas com amigos, regadas a gin tónico ou sangria, as sobremesas impossíveis de resistir. Ontem decidi que ia entrar em dieta. Dois kg, não é propriamente uma coisa difícil. Não estivéssemos a entrar na fase da desova, em que toda a gente faz anos, e as jantaradas vão ser mais que muitas, e não seria de facto difícil...   Não seria difícil, se eu fosse uma pessoa de dietas. E aderisse com facilidade à moda dos batidos verdes, e das taças de cereais com fruta e bagas goji. Tudo isso me causa enjoo, agonia, e me repele. Eu sou uma pessoa de pão com manteiga, de massas, de carne bem cozinhada, de batatas fritas verdadeiras. Por isso só me resta cantar :
 
"oh apetite  volta prá trás
dá-me tudo o que eu perdi
tem pena e dá-me a vida
a vida que eu já vivi
oh apetite volta prá trás..."

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Arrependimento

Algures por aqui disse que passar a ferro me tirava o stress. Que é como quem diz, eu gosto de passar a ferro. Que é como quem diz, passar a ferro para mim, funciona da mesma forma que o ioga funciona para muitas outras pessoas. Que é como quem diz, passar a ferro para mim, é como levar uma massagem relaxante. Que é como quem diz, às vezes quando abres a boca para dizer certas coisas, devias levar logo  com um martelo nos queixos. E como tal, retiro (na integra) o que disse. No tempo das vacas gordas, passava a ferro quando por alguma razão, a roupa se acumulava, e eu dava uma ajuda. Em tempos de vacas magras, a roupa está num constante acumular, e depois de uma manhã de domingo a tentar ver o fundo ao cesto, esta rainha sente-se mais em versão gata borralheira, arrependida de algum dia ter proferido semelhante afirmação. Não gosto de passar a ferro. Ponto.
 
 
 
 

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Inspira. Expira. Ventila.

Uma pessoa tem um dia de cão, porque sai de casa com chuva e com frio (e onde é que anda a porra da primavera no meio disto tudo? emigrou, foi?), leva os miúdos à escola, os seus e os da amiga (quatro no total, comigo cinco, e o carro só dá para quatro), pede-lhes que ponham os cintos ("um para dois, esforcem-se que conseguem, que isto sem cinto é que ninguém vai")  e reza para que as autoridades não se lembrem de fazer uma operação stop nestes poucos km que distanciam a nossa casa do colégio (está a chover, é pouco provável). Chega à escola, e o trânsito para entrar está entupido. Chove a potes e digo aos miúdos para saírem mesmo ali, que a fila está parada, não faz diferença. Para o senhor (anormal) do carro atrás fazia muita diferença, porque buzinou desenfreadamente perante o (quase) pânico dos miúdos a tirar as mochilas e a tentarem sair dali o mais rapidamente possível (para ficarmos parados mais dez minutos, um metro e meio à frente, o que me leva a ter a certeza que que isto anda mesmo tudo avariado do sistema - da tola). Uma pessoa chega ao escritório, atura o que tem de aturar, faz o que tem a fazer, e quando olha para o relógio, sai a correr porque tem de ir buscar o avô a casa da mãe, para o acompanhar a uma consulta de cardiologia. Olha para o avô, enquanto espera a consulta, e percebe que a velhice é mesmo uma coisa tramada, e que o avô está mesmo a ficar cada vez mais velhinho. Entra na consulta, sai da consulta, fazer analises, entra novamente na consulta, olha para o relógio e percebe que talvez não dê tempo de chegar à sua própria consulta , dali a quarenta minutos. Ainda dentro da consulta, ouve todas as diretrizes do médico, enquanto rabisca disfarçadamente uma mensagem a pedir auxilio no regresso do avô a casa. O cunhado aparece neste auxilio, uma pessoa arranca desenfreadamente para a outra ponta da cidade, liga para o consultório  a avisar que vai chegar atrasada, e a rececionista informa que a consulta estava marcada para duas horas antes. Uma pessoa enerva-se, porque apesar de saber que é um bocado (muito) distraída tinha escrito na agenda, e confirmado tudo direitinho, e não se inibe de quase chamar incompetente à senhora rececionista que ainda no dia anterior tinha ligado a confirmar a dita consulta, e uma pessoa até pode ter um ouvido afanado (razão que a leva a este raio desta consulta), mas garante que ainda ouve e percebe bem o que lhe dizem, daí estar a caminho da mesma, na hora combinada. A senhora rececionista não desiste de informar que tem a certeza que a colega que ligou ontem disse as horas certas, uma pessoa deste lado garante que também tem  a certeza do que ouviu e escreveu por duas vezes, e vai a caminho. Depois de ventilar umas quantas vezes até chegar ao destino, uma pessoa entra, simpaticamente sem desancar as senhoras duas rececionistas, que informam simpaticamente também que a senhora professora vai atender já de seguida. Senhora professora doutora simpaticamente atende-me fora de horas, olha para as magnificas fotografias que trago debaixo do braço, resultado da tac que me havia pedido, explica-me que estou novamente toda entupida de nhanha, mostra-me a nhanha na foto, aquela massa intrusa que ali se alojou, usa o termo tumor benigno, assim como quem não quer a coisa, oiço tudo como quem não quer a coisa também, passa-me a catrefada de exames que tenho para fazer, antes de ir à faca. Digo que sim senhor, irei fazer tudo, e informarei de quando me dá jeito levar a facada. Uma pessoa sai dali, a pensar no fato reciclável que ainda tem para fazer com o miúdo, para levar amanhã para a escola para o desfile da primavera (mas qual primavera?), pensa no materiais que vai precisar, liga ao ex-rei a pedir para comprar os materiais antes de trazer o miúdo do futebol para casa. Uma pessoa chega a casa, informa como quem não quer a coisa que vai ser operada dentro em breve, nada de especial, a filha reage da mesma maneira com um "oh...", ok, nada de especial, uma pessoa decide não contar já ao filho porque não sendo nada de especial, o filho não vai reagir da mesma forma (no mínimo o "oh" da filha, é precedido de um "não vais morrer, pois não?"), e uma pessoa precisa que o filho colabore na elaboração de um fato de espantalho, que uma mãe idealizou porque o filho não colaborou em fazê-lo na sala de aula, e embora o raspanete, uma mãe não quer que o filho seja o único que não tenha fato. Uma pessoa faz um fato com materiais recicláveis enquanto o diabo esfrega um olho, olha para o resultado final e pensa com orgulho que para vinte minutos não ficou nada mal, uma pessoa ainda ouve o filho reclamar que não leva a imitação de chapéu de palha, engendrada com cartolina porque vai fazer figura de estupido, uma pessoa dá dois berros e controla-se para não dar duas palmadas (merecidas), uma pessoa deita-se e pensa na data que vai escolher para tirar a nhanha.