segunda-feira, 31 de março de 2014

A modos que a despachar-me


À terceira chamada do dia (sim, terceira chamada. um dia inteiro, e apenas três!)

-Então filha, já chegaram ao hotel?

-Sim mãe... acabámos de chegar. E seria muito mais fácil se não me estivesses a ligar de hora a hora. Estou a carregar a mala, e a procurar o meu quarto.

(e anda uma mãe a criar uma filha para isto)

Rainha galinha (desasada)

 
 
E eis que, oito horas passadas, desde que esta rainha (galinha) deixou a sua princesa (pintainha) no autocarro, rumo a terras alentejanas (e mesmo com esta chuva, e as preocupações inerentes), ainda só trocámos quatro mensagens, e falámos uma vez. E está tudo a correr bem. E ela está feliz. E eu estou a aguentar-me para não parecer demasiado chata e preocupada (e a trocar informações com outra mãe em igualdade de circunstancias), porque esta princesa (pintainha) tem de ganhar asas e voar, e esta rainha (galinha) não pode dificultar o voo . Deve sim ajuda-la a ir ganhando altitude, e nas quedas (que se esperam sempre pequenas) estar cá para a amparar. E se não a conseguir amparar, estar cá para sarar as feridas, e dar-lhe coragem para outros voos mais altos.
Esta rainha (galinha) está a preparar-se para isso. Esta rainha (galinha) que também voa, também cai, que hoje se sente desasada sem a sua princesa (pintainha), e que anseia pela noite, para aconchegar o seu pequeno príncipe (pinto) debaixo da asa, enquanto falam com a irmã já no hotel (sã e salva e segura deste temporal que tão inconvenientemente nos assola hoje), e aí, sim,  uma noite já está ultrapassada (e amanhã é outro dia, e vai tudo correr bem).
 

De coração cheio.



De coração pequenino hoje , a contrastar com o coração gigante com que me debati durante o fim de semana. 
Mais um jogo de futebol do príncipe, em que além de gigante, o meu coração pula energicamente, assim como pula o dele. O dele pelos km percorridos ao longo daquele tapete de relva , e pela adrenalina do jogo. O meu, pelos nervos de o ver tão pequenino e tão rápido a escapulir-se de bola nos pés em direcção à baliza, na busca da vitória que o traz feliz para casa. 
Terminado o jogo, saímos a correr porque a princesa tinha prova de ginástica acrobática. Os nervos dela, os meus nervos, o coração dela, o meu coração. A prova correu lindamente, perante o olhar e o coração desta mãe. Este coração, que quase saltava do peito, este olhar que se inundou rapidamente (a culpa é do saco lacrimal que desde que fui mãe, rompeu certamente). 
Terminadas as duas provas desportivas do fim de semana, os corações, os três (o meu, o dele e o dela), voltaram ao seu tamanho normal, à sua batida compassada, prontos para outras provas futuras (o meu não sei se aguenta tanta aventura em tão pouco espaço de tempo...).

Do tamanho de uma ervilha. Este coração.



Esta rainha, tem hoje, o coração do tamanho de uma ervilha.
A princesa deste reino saiu bem cedo para uma visita de estudo a Évora, de três dias ( três dias. uma eternidade). 
E eu fiquei assim, meio desasada, meio (muito) angustiada, e de lágrima no canto olho, a rezar para que nenhuma outra mãe visse a minha figura, que Évora fica já ali, e três dias é já depois de amanhã. 
E ali me mantive, de pé, ao frio e à chuva, à espera de ver o autocarro partir, como fazia quando eles eram pequeninos e iam ali ao virar da esquina ao jardim zoológico. E ali me mantive, e o autocarro partiu. E ela, esta filha que eu via partir, conversava alegremente com a amiga, esquecendo-se desta mãe  que acenava para um autocarro, esquecendo-se de acenar também, e ignorando (ainda) esta sensação  de coração apertado, coração pequenino, do tamanho de uma ervilha, que é o coração de mãe. Porque o dela, o coração de filha, estava gigante, de alegria e ansiedade. O que por si só, já vale a pequenez e o aperto do meu. 


quinta-feira, 27 de março de 2014

Chocolate

Como ando sempre atrasada com estas coisas das notícias, não sei se foi ontem, se é hoje, o dia internacional do chocolate.
Independentemente da data, quero deixar as minhas felicitações aos senhores que tiveram o brilhantismo de inventar o pantagruel. Esse mesmo. O da culinária. O que vem num invólucro simples, mas que envolve (para mim e para a minha filha) o melhor chocolate do mundo.
A atribuir uma medalha honorífica também, aos senhores que (igualmente) brilhantes, tiveram a inteligência de conjugar chocolate preto*, com ginja e licor do mesmo (suponho). O mon cheri.
Nada como ver um filme com a miúda, enroladas na manta, a devorar uma tablete (inteirinha) de pantagruel. Se for mon cheri, sou capaz de devorar em três tempos umas quantas dezenas deles e ela, (que tem o bom gosto da mãe ) já anunciou que aquilo "é mesmo bom", porque a deixo comer um, e apenas um. Assim comá'ssim, a ficar bezana, que fique eu, que ela ainda não tem idade para estas coisas do álcool (e já percebi que gosta...).


* Chocolate amargo (também chamado de chocolate preto ou puro) é um tipo de chocolate feito com os grãos de cacau torrados sem adição de leite, e algumas versões permitem a sua utilização como base para sobremesas, bolos e bolachas. Deve-se usar um mínimo de 35% de cacau, segundo as normas européias. Tem como característica possuir pouco açúcar.

logo, vivemos (vivo eu) na ilusão de que NÂO ENGORDA

Quando os pedidos chegam a outros nivéis

Avizinha-se uma época de concertos em grande. Lá em casa, já não se fala de outra coisa. Em maio temos o Rock in Rio. A miúda quer ver (mesmo, mesmo) Lorde e Ed Sheeran. O miúdo gostava de ver Ed Sheeram (ela contrapõe, que ele só conhece duas musicas, e é um gasto desnecessário no bilhete dele). Em maio temos a Miley Cyrus. Ela já viu a Miley, com direito a foto e autógrafo e tudo, na época em que a rapariguinha se tentava desvincular da imagem casta de Hannah Montana, coisa que a chocou um bocado  quando a viu no palco com um body (quase) todo enfiado no rabo. Hoje (está-me a querer parecer) que o comportamento (a modos que desavergonhado)  da Miley já não a choca nada e até argumentou aqui há tempos, que nitidamente isto é uma jogada de marketing (e eu penso que a miúda está mesmo a ficar crescida - a minha, que a outra já se afirmou por completo a esses níveis), acha-lhe imensa piada, gosta das musicas, e quer (mesmo, mesmo) ir vê-la ao Meo Arena.
Pois que, Rock in Rio em maio, Miley em junho, e logo de seguida eis que temos Optimus Alive. Este, já com o pack dos três dias comprado (que foi o destino que ela deu ao dinheiro que recebeu no natal), porque não podia perder uma das suas bandas favoritas, Arctic Monkeys, mas também não queria perder Imagine Dragons, nem Ben Howard, nem Bastille, nem outros tantos. Ele gostava de ver Imagine Dragons, e Bastille , o é  que bom, porque como atuam em dois dias diferentes,  significa dois bilhetes (ela contrapõe, que ele só conhece duas ou três musicas de cada uma das bandas, e é um gasto desnecessário em dois bilhetes para ele).
Ora para fazer a vontade a estas duas criaturas, ainda tinha de adquirir os meus bilhetes para os acompanhar (e até gosto de algumas das bandas, o que não seria um sacrifício por aí além).
Posto isto, o melhor é cancelar férias, ir roubar para a estrada, ou tentar o euromilhões.
 
e eu é que os habituei mal, que ela ainda nem tem quinze anos e já deve ter ido a uns dez concertos...
 
 

quarta-feira, 26 de março de 2014

Audição estrábica leva a ignorância

Há diversas teorias sobre a queda do avião da Malásia.
Eu tenho a teoria que devo ter hibernado nos últimos quinze dias.
Quando a minha BFF me ligou ante ontem a dizer "afinal o avião já apareceu. caiu no índico". Eu respondi, "ai foi? " , embora tenha pensado nesse mesmo instante " porra, andava um avião perdido ?" e nem me descaí que não fazia a mínima ideia desta tragédia.
Eu não sabia. Nem disto, nem de nada.
Na verdade, desde que temos o cão (e já lá vão quase dois meses), deixei de ver notícias. Tenho uma televisão na cozinha, e é na hora de preparar o jantar que vou ouvindo com mais ou menos atenção o que se passa no mundo. Desde que temos o cão, sou obrigada a manter a porta da cozinha fechada. Enquanto ele não aprende que os tapetes não são local para defecações e afins (e está difícil de aprender).
Por essa razão, e por ter um ouvido estrábico (como lhe apelida o meu grande amigo J.), não posso ter a televisão ligada. Isso deixa-me completamente absorta do que se passa no resto da casa. Os miúdos podem gritar por mim que eu não oiço. E quando eu digo gritar, é ao ponto de todo o prédio ouvir, menos eu. Podem tocar à porta (e pode ser um gatuno), que eu não oiço. Pode algum deles cair na banheira ( e partir uma perna), que eu não oiço. Podem discutir os dois, uma daquelas discussões feias em que tenho de intervir (com direito a troca de biqueiradas nas canelas), e eu não oiço. Podem acontecer milhentas desgraças nas restantes assoalhadas deste nosso castelo,  se eu estiver com a porta da cozinha fechada e televisão ligada, não oiço. Tudo isto devido ao cão (ainda porcalhão). E devido ao meu ouvido estrábico (sim, gosto do termo, porque continuo a afirmar convictamente que  não sou surda, ok?).