terça-feira, 25 de março de 2014

Exploração infantil, parte II

O refilão lá do reino hoje na escola (e acabo de receber esta informação via e-mail, da diretora de turma, que no fundo - e é a sorte dele - também lhe deve achar alguma graça):
 
Bom dia mãe,
Ora cá vai a pergunta do dia: "D.T, música é importante??"
Ora pretendia explicar o que veio a seguir, "eu não estudei quase nada, não acho importante :)))"
 
Conclusão a que chego :
Ora se achas que estas a ser explorado , reivindica, e pode ser que chegues a algum lado. Ou não.
 
 

Exploração infantil



O refilão lá do reino ontem:

"mãe, sabes que as crianças no séc. XIX eram exploradas? Sabes disso, não sabes? Sabes que nós também vamos aparecer na história, daqui a uns anos? Sabes? É que nós também somos explorados. Não há semana nenhuma, nenhuma, ouviste bem, em que nós não tenhamos um teste. Nenhuma."


Tenho dias que (quase) sinto o mesmo...




segunda-feira, 24 de março de 2014

Apanhado com a amante

Sexta- Feira, almoçava eu com duas amigas, e recebo a seguinte mensagem escrita, da senhora minha mãe:
"o Ti Quim foi apanhado com a amante".
Ok. Pára tudo. Partilho esta informação com as minhas amigas. Começo a pensar no Ti Quim, e na idade que terá. Pois bem. É só o irmão mais velho do meu pai. E o meu pai anda na casa dos sessenta e tais. Neste momento, não sei precisar os tais. Mas são muitos tais. Talvez mesmo perto dos setenta. Vai daí, o Ti Quim tem de estar nos setenta obrigatoriamente. O acrescentar deste facto ao enredo deixa-nos a todas com um súbito misto de  curiosidade e malvadez.
Pergunto à senhora minha mãe, também por mensagem escrita, como, onde, porquê (mas o Ti Quim tem uma amante??)
Senhora minha mãe, que queria era dois dedos de conversa, ainda me respondeu que tinham sido apanhados no carro, mas perante a minha insistência de pormenores que animavam o nosso almoço, acabou de certa forma a mandar-me dar uma volta ao bilhar grande. Escrever mensagens já é uma novidade, fazer disso uma troca acesa de conversa, já são outros quinhentos (e estes quinhentos não são de todo a sua praia). 
Como a razão que nos levava a almoçar juntas eram também outros quinhentos, que não a malandrice do Ti Quim, entendi por bem deixar a trica/fofoca para outra hora mais oportuna.
Acabado o almoço, e antes de seguir cada uma à sua vida (trabalho), pedem-me as amigas que as vá mantendo ao corrente deste tão importante episódio que é não mais do que a  descoberta infidelidade do Ti Quim lá da aldeia.
Feito o dia laboral, lá fiz o meu papel de sobrinha preocupada/coscuvilheira, e senhora minha mãe colocou-me ao corrente de todos os pormenores de tão falada história.
E porque mensagens são a minha praia, resolvi fazer o relato que se segue às comparsas do almoço:

Minhas queridas amigas, bem sei que estiveram todo o dia ansiosamente à espera das ultimas novidades do caso Ti Quim. Pois bem, fiquem sabendo que o Ti Quim é homem para 75 anos. Setenta e cinco, perceberam bem? Eu se fosse gajo, e tendo em conta que fui buscar muito de mim àquele lado da família, podia viver na esperança que saindo ao Ti Quim, aos setenta e cinco anos tinha ainda força na rebébébeu pardais ao ninho . Como sou gaja, resta-me a esperança de aos setenta e cinco ainda cá estar, viva e de saúde para levar com a ... rebébébeu pardais ao ninho. A esta altura já me questiono se vou mesmo enviar esta mensagem, não vão vocês de fim de semana, chocadas com a linguagem, mas assim comá'ssim, sendo sexta, pode ser que o vosso cérebro já esteja a carburar mais lento, mais lento do que a coisa do Ti Quim, e nem se apercebam do que para aqui escrevi. Mas voltando ao que interessa, pelo que parece, o Ti Quim foi visto por um homem, a prevaricar dentro do carro. E pelo que parece, o dito homem que viu a cena, contou a mil e quinhentas pessoas, pedindo segredo a todas, chegando a notícia fresquinha e direitinha a Lisboa, enquanto o diabo esfregou um olho. Ao que parece também, o dito Chibo, viu a cena, fingiu não ter visto, e deixou-os continuar o belo serviço, que isto não se devem interromper estas questões aos setenta e cinco anos de idade, não vá o Quim ter um ataque cardíaco. Não perguntei à senhora minha mãe que dito serviço estariam a fazer. Não me pareceu de bom tom, tendo em conta que é minha mãe. Deixei portanto ao critério da minha imaginação as acrobacias da Ermelinda (a amante) porque sendo ela quinze anos mais nova, terá na certa mais agilidade para se contorcer dentro de um carro.

E pronto. A resposta das comparsas não é para aqui chamada, que para ordinarice, já basta a minha. Tendo em conta que quando nos conhecem, nos torna a escrita limitada, já me estiquei comó caraças. Tendo em conta que estou na esperança que a minha filha não leia isto, porque já começa a achar uma grande seca (ufa) , ainda tive o cuidado de substituir "verga" por rebébébeu pardais ao ninho. Tendo em conta isto tudo, este foi o post mais parvo e idiota que alguma vez escrevi. Não obstante, o tom do mesmo, não invalida a minha reprovação quanto à conduta do Ti Quim (porra homem, com setenta e cinco e ainda sem juízo???).



Esta sim, a oficial

Um mês depois da decisão oficial (sim, esta mesmo ) , a principesca lá do reino quase que me arrastou para a concretização da mesma.
Ontem acordou cheia de pica. "mãe, vamos à nossa caminhada?". Não tinha grandes desculpas. O irmão tinha ido dormir a casa de um amigo, ele que não fica sozinho em casa, e não embarca nestas andanças, que desporto já ele faz com fartura. Abri o cortinado, e espreitei lá para fora. "deve estar frescote..." atirei, na esperança que fosse motivo suficiente para a demover de tal ideia estapafúrdia naquela manhã de domingo que se adivinhava de relax.
Não me respondeu, e dez minutos depois apareceu-me já equipada. Vestia as (nossas) leggings mais confortáveis, o meu casaco de desporto (que uso mais em casa, do que propriamente no inexistente desporto), os meus nike air (dos quais se apoderou, assim que alcançou o meu número de pé, e foram menos uns que tive de comprar, já que o uso que lhes dou, é quase nulo).
Ainda tentei a desculpa dos ténis (que não tinha) para ficar em casa, mas ela lembrou-se dos outros nike, que comprei um dia em moçambique, que não são air (essa modernice ainda não tinha lá chegado), mas que haviam de estar por ali guardados, novinhos em folha, à minha espera.
Saímos as duas. Quinhentos metros depois, já eu arfava como se tivesse corrido meia maratona, e ela arrancou a correr que nem uma gazela. Não me atrevi a tamanha aventura. Pensei nos cigarros diários, aliados à asma crónica, nos meus pulmões completamente afanados, e na burrice que cometo deliberadamente. Tenho de tomar a decisão. E cumprir. À séria.
Caminhei em passo acelerado, vi-a afastar-se cada vez. Os músculos cada vez mais doridos, cada vez mais a certeza de que tenho de fazer disto um hábito.
Primeiro dia, primeira etapa. Eu, cinco km. Ela, oito.
A sensação boa do exercício feito. O acordar hoje a necessitar (quase) de um guindaste.
A certeza de que vou continuar.
 
 

sexta-feira, 21 de março de 2014

Buéda díficil.

E o início do fim de semana começa assim.
O exame intermédio de matemática correu "mais ou menos mal" à princesa. Mais ou menos mal, significa mais mal, que bem. O que me me leva a mentalizar-me com antecedência para uma nota menos simpática, mas na esperança que não seja negativa.
O teste de português do príncipe era "buéda difícil, buéda lixado", o que significa que não lhe correu bem. O que me leva a mentalizar-me com antecedência para uma nota satisfatória.
Em caso de más notícias, vou ficar triste, mas não me vou chatear. Esforçaram-se os dois. E quando há esforço, mesmo que o objectivo não tenha sido alcançado, não me zango. Foi o caso. Ela fartou-se de estudar. Ele, que nunca estuda para português porque "não é preciso", desta vez preocupou-se e pediu ajuda à irmã. Porque perante o meu esquecimento e as novidades recentes na arte gramatical, eu já não consigo ajudar o miúdo. E não fosse o corretor automático, nem com o novo acordo ortográfico me safava...
E o início do fim de semana começa assim.
Chuvoso, e a prever más notícias escolares.
Às vezes é assim. Buéda difícil. Buéda lixado.
Para a próxima será melhor. Esperamos.


E é isto.

A princesa deste reino está neste momento a fazer exame intermédio de matemática.
O príncipe deste reino está a fazer,  teste de português (só gramática).
A rainha deste reino está de coração apertado (principalmente pela princesa), por não saber como lhes correu, ou como lhes estará a correr (que pelas minhas contas, já devia ter terminado, e ninguém me liga).
E neste momento, é isto.

 

quarta-feira, 19 de março de 2014

Banho versus Duche

Os banhos cá deste reino há muito que passaram a ser um ato individualista e não controlado. Cada um toma o seu banho, o dela controlado em termos de tempo (pode chegar a durar uma hora, se eu não der uns gritos que a água e o gás custam dinheiro), o dele é em regra obrigado (mas eu tomei banho ontem!), e muito rápido. Rápido de mais.
Esta semana, comentava a minha mãe que tem uma amiga com um filho na idade da minha, e que o miúdo, embora tome banho todos os dias, cheira mal e traz o cabelo sujo, porque com toda a certeza só se passa por água. Resposta imediata do meu rapaz que ouvia a conversa : então, mas isso é um duche!
Está explicado. Gel de banho e champô são para banhos de imersão. O chamado duche rápido é apenas e só com...água.
E quando me queixo que ele emana de quando em vez um intenso cheiro a lixivia, ele contrapõe que tomou duche. Ah, pois tomou. Mas o cheirinho a cloro ficou lá todo. Não fosse o desinfetante da piscina, e as cinco vezes de natação semanais, e o puto cheirava mal na certa.
Olhando para o lado positivo da questão: o que ela gasta em água e gás, ele poupa em produtos de higiene.