terça-feira, 18 de março de 2014

É amanhã. Aposto que não se lembraram. Ainda.

De passagem no facebook, percebi que amanhã é dia do pai. Não me lembrava.
E os meus filhos ter-se-ão esquecido?
Mais essa.
E eu é que tenho de pensar (e fazer) tudo?

Ela, com aquele tamanhão, já não faz nada na escola como oferenda.
E ele, nem uma palavra sobre o assunto.
O que é mau sinal.
Vai sobrar para mim, na certa.

Refilagron - o medicamento não inventado (ainda)

Estou a ter algumas dificuldades em controlar o refílice do meu pequeno príncipe. Não sei que faça ao miúdo. Era muito mais fácil se houvesse por aí uns comprimidos milagrosos, tipo "refilagron". 
 
Refilagron, o melhor medicamento indicado para controlar os sintomas de refilanço agudo ou crónico. Um comprimido ao pequeno almoço, e os sintomas de refilar desaparecem. Sem efeitos secundários. Para mais informações, consulte o seu médico ou farmacêutico.
 
E era tão bom vê-lo parar de refilar. Refilar com o jantar. Refilar com a hora de ir para a cama. Refilar porque foi de manhã com o cão à rua, à tarde já não é a vez dele. Refilar porque tem três testes, mas está tudo controlado, e estudamos mais daqui a bocadinho. Refilar porque não há nada de jeito para comer nesta casa (entenda-se bolachas).
 
O pior:  sem Refilagron, os sintomas estão a avançar para a escola. Já tenho queixas da diretora de turma de que o rapazola até já refila com os professores (alguns). Porque a matéria é muita, porque é difícil, e porque no fundo, para ele, a vida é muito injusta.
 
Na semana passada, trouxe recado na caderneta. Uma caderneta novinha em folha, porque afinal a outra , a dele, nunca mais apareceu, e antes que o caso desse mesmo para o torto, requisitou uma nova (que é como quem diz, comprou - a cobrar na próxima fatura). O recado não era nada de novo. Distraído, a trabalhar abaixo das suas capacidades.
Levou sermão. Refilou. Não percebe porque têm esta ideia dele. Ele, que não fala com ninguém. Que está sempre, mas sempre atento.
Por lapso meu, a malfadada caderneta não foi no dia seguinte para a escola, devidamente assinada. Perante o pedido da professora em ver se o recado tinha chegado ao destino, o rapaz respondeu que tinha, pois claro que tinha. Até porque lá em casa não temos o hábito de esconder nada uns aos outros.
Confrontei-o com esta resposta. E com outras.
Refilou. Mas afinal agora tu és amiga da minha professora? Não gosto nada dessas amizades. Uma pessoa já nem se pode sentir à vontade na escola? Que é como quem diz, refilar à vontade.
Algum laboratório que os faça? Refilagron ?
 
 
 

Dou graças

E os dias passam.
A correr.
É a correr que me levanto e preparo as lancheiras deles. Almoço (que deixo já feito de véspera, não fosse assim, e enlouquecia), prato, talher, lanchinho da manhã, lanche da tarde, fruta (que por norma regressa a casa, não intacta, mas muito mais madura), e entretanto ela, a rapariga, já rodopia entre o quarto dela, e o meu, para mais um vislumbre no espelho e a confirmação de que está tudo no sítio, as cores combinam, os ténis estão velhos, e a precisar de uns novos (não obstante o armário cheio), as calças estão largas (porque eu as alarguei - é a desculpa do dia, agora) e a precisar de umas novas, e é no meio desta adiantada azáfama que ele, o rapaz, se levanta, se veste, prepara a sua mochila, leva o cão à rua, chegando sempre com a má notícia "não fez nada", come e se senta à espera de sair de casa.
É no meio desta azáfama que constato que o stock de lanches acabou, não há leites com chocolate, nem iogurtes, nem croissants, nem mais nada, e que o papel higiénico também parece que se evaporou, e recorremos aos guardanapos de papel que também estão a acabar, e peço um rolo à vizinha (nada como ter uma BFF a viver mesmo ali), e penso que hoje sem falta, tenho de passar no supermercado.
Antes de sair de casa, e porque a BFF me fez (mais uma vez) o favor de os levar à escola, faço as camas, arrumo pijamas largados no chão, coloco a roupa suja do dia anterior na tulha, decido estender a roupa que deixei a lavar durante a noite, mas antes apanho a que está seca desde ante ontem. Olho para o cesto da roupa passada, também de ante ontem, e decido arruma-la. À noite hei-de precisar do cesto vazio, porque decido que com a que apanhei, mais a que estendi e que vai estar seca logo, o monte não vai caber na lavandaria e há que dar cabo dele rapidamente.
E meio da manhã passou a correr.
Saio de casa.
A correr.
Está sol, já me sinto cansada, e penso no tempo das vacas gordas, em que não tinha de me preocupar em ser (quase) cem por cento fada do lar, porque chegava a casa, e tinha tudo imaculadamente feito. Mas está sol, e dou graças por não ter de cumprir horários, porque em tempo de vacas magras, não fosse assim, e não sei em que estado estaria aquela casa.
Chego ao escritório.
A correr. 
Penso no que tenho para fazer e que dia é hoje. Não posso sair tarde, porque hoje é dia de futebol e de explicação, e lembro-me que a tarefa do pai, que é ir buscar, hoje está por minha conta.
Penso que não sei onde vou encaixar o supermercado no dia de hoje, lembro-me que não deixei nada para fazer para o jantar, que vou chegar perto das nove da noite a casa, e que uns frangos assados podem ser solução. Penso que ela vai ter exame intermédio de matemática, e que as explicações se vão estender pelo resto da semana, que ele vai ter três testes , e que me vai pedir ajuda, e que o monte da roupa se vai acumular. Penso que no meio disto tudo não tenho tido tempo de educar um cão criançola e porcalhão, e que a minha casa já começa a cheirar ao bicho, e penso que está sol e me apetece descontrair. Penso que falta ainda algum tempo para férias, e que até lá, tenho de dar graças pelo sol (tão bom para secar roupa...), e tenho de conseguir fazer tudo, (se possível) com boa disposição, mesmo que seja a correr.
A correr, dou graças.
 
 
 

terça-feira, 11 de março de 2014

Sabes que estás a ficar mais velha... III

Sabes que estás a ficar (mais) velha, quando a tua família chegada começa a partir de velhice.
E hoje partiu (mais) um tio avô. Já me restam poucos, e eram muitos, que naquela época (e apesar da crise - essa eterna malvada) no mundo em que viviam não havia planeamento familiar e os filhos eram  (muitas vezes) vistos  como mais um par de mãos para trabalhar (assim me conta o meu avô, nascido no meio rural, há quase um século).  
Hoje perdi mais um tio avô. Daqueles chegados, chegados à alma, chegados ao coração. O tio que me viu crescer, e que eu  vi envelhecer. O tio que me viu crescer, mas que há muito  não me via a mim envelhecer também. Não me reconhecia como sua sobrinha, e há muito que  me cumprimentava como se da primeira vez se tratasse. Foi tomado por esse cabrão do Alzheimer, deixando para trás uma vida de memórias.
Hoje perdi o tio avô. Tenho em mim que estará neste momento na companhia da minha avó, e que estarão a pôr a conversa em dia, quiçá numa acesa discórdia, como era seu apanágio. Tenho em mim que estará com a minha avó, e por isso tenho em mim que estará bem.
Sabes que estás a ficar (mais) velha quando o teu castelo de histórias antigas, de memórias passadas,  começa a ficar empobrecido.
Hoje perdi o tio avô. E hoje o meu castelo ficou mais pobre.
  

A nossa SELFIE (yééé)

No domingo, andava eu a passear por estes blogues fora, à descoberta de um novo recanto aqui e ali, uns mais agradáveis à vista que outros, uns de "encher chouriços" (como o meu), outros com muito mais substrato , uns em que me deixei ficar por largos minutos, outros em que apenas um breve vislumbre me fizeram continuar caminho, por outros blogues fora.
Dos que me fizeram parar, sentar, e ficar a admirar a paisagem algum tempo, foi o da Uva. Uma Uva passada, mas com uma escrita que me agradou (se eu fosse gajo, teria ficado fixada na sua imagem de perfil, mas como sou gaja, foi mesmo o conteúdo expressivo ) e a quem sem demoras dei a honra de me tornar fiel seguidora.
Alguns minutos depois, a Uva, (aparentemente) novata nestas lides assim como eu, agradeceu publicamente o facto de ter chegado aos treze seguidores, que isto dos blogues não é por dá cá esta palha que se angariam leitores assíduos. E vai daí, enaltecendo tamanho feito, pública esta SELFIE fabulosa.
Eu, que à data contava apenas com quatro singelos seguidores  e como forma de recíproco agradecimento por ver publicada uma foto da minha pessoa (embora um bocado enrugada o que contrasta com a minha pele ainda lisa e quase sem rugas), disse-lhe que quando atingisse esse fantástico número, faria também a homenagem de igual forma.
Dois dias depois (e ultrapassando todas as expectativas que havia depositado no alcance deste maravilhoso número), aqui está ela.
 
 
A todas as ervilhas (ou rainhas, como queiram) que me seguem, o meu muito obrigadinha.
 
(estamos com um ar ligeiramente suado. mas quase tudo na vida é conseguido com suor - e eu que quase nem transpiro...- ou podemos sempre dizer que acabámos de fazer uma maratona, tão em voga nos dias que correm - e eu que não posso com uma gata pelo rabo, e se dou três passos corridos agarro-me logo ao ventilan com um ataque de asma - e é por isso que tal como se pode verificar, estamos boas comó milho - em versão verde ervilha, claro.)
 

segunda-feira, 10 de março de 2014

Tem dias que é difícil

 
 
Hoje, no cimo dos meus (recém chegados) trinta e nove anos  (39????), consigo admitir que as mães são muito sábias. Por muito que às vezes me incomodem as opiniões (ou premonições) da minha progenitora, mais cedo ou mais tarde acabo por vir (quase sempre) a dar-lhe razão.
E isto tende a ser hereditário, por isso, filhota, se me lês, dá-me já ouvidos bem cedo. A mãe tem sempre razão. Ouviste? Sempre.
 
(bolas, que isto de ser mãe tem dias que é difícil)

Páginas soltas #1




Onde estavam eles?
Ela lembrava-se de os ter. Não há muito tempo. Sabia que não tinha sido há tanto tempo assim. E no entanto, essa lembrança parecia-lhe agora extremamente longínqua.
Onde estavam eles?
Para onde tinham ido, e como conseguia agora viver sem eles?
Viver? Seria viver esta existência com se deparava nos últimos meses (anos?) da sua vida? Olhando para trás, avaliando os dias, as semanas, os meses (os anos?), não tinha a certeza se lhe poderia chamar viver, ou apenas sobreviver.
Onde estavam eles?
Aqueles que outrora lhe alimentavam as horas, os dias, as semanas, os meses, os anos. Aqueles que a faziam caminhar, um passo atrás do outro, muitas vezes numa corrida desenfreada, muitas vezes num passo mais lento, mas que a faziam caminhar. Em direção a qualquer coisa.
Onde estavam eles?
Eles, que a acompanharam sempre, desde tenra idade, ao longo dos dias, das semanas, dos meses e dos anos. Sempre. Longe de imaginar(em) que algum dia o abandono seria iminente.
Quando, em que altura isto aconteceu? Não sabia. Teria sido um processo gradual? Teria sido repentino, abrupto? Não sabia.
A vida tornara-se madrasta ou teria sido ela que inconscientemente se teria deixado  aperfilhar?
Esta vida, que ela não conduzia para se deixar conduzir.
Os projetos, os objetivos, os desejos, os planos?
Os sonhos?
Onde estavam eles?