quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Quando tu pensas que a idade dos porquês já passou II

Quando tu pensas que a idade dos porquês já passou, e a tua filha, enquanto é lambuzada pelo Schumi (o nosso cão) te pergunta:

- mãe já pensaste que o Schumi pode ter tido outra vida? O que é que tu achas que o Schumi foi ?

(não sei. Mas há-de ter sido um animal que obra muito - para não dizer caga. Nunca vi um bicho de seiscentas gramas obrar tanto. Por isso ocorre-me talvez... um elefante).

-mãe, já pensaste nisso? Que pode haver reencarnação? Dizem que se tu tens muito medo de uma coisa se calhar é porque morreste dessa coisa noutra vida.

(na verdade nunca pensei muito nisso. Perco mais tempo a pensar no que vou fazer para o jantar, do que propriamente em reencarnação.)

- mãe, diz lá uma coisa que tenhas muito medo.

(e de repente, não me ocorre nada.
Tenho medo das doenças. Embora não pense muito nisso. Mas há grandes probabilidades de ter morrido de doença noutra vida. O que é uma causa comum a bem dizer.)

- Não sei. Não estou a ver - Respondi finalmente.

-mãe, pensa. Medo de alturas? Quem tem medo de alturas é porque pode ter morrido a cair de um precipício por exemplo. Medo do mar? Afogada. Não tens medo de nada?

(deve ser da gripe. não me ocorre nada. aranhas? baratas? alturas? não morro de amores, mas não tenho pânico. bolas, estou doente. vou deixar o tema para outro dia.)

E connosco o Benfica-Sporting, foi assim.

Quanto custa ver um jogo de futebol hoje em dia? Não vou a um estádio há uns quatro ou cinco anos, e mesmo quando o fazia semanalmente, não pagava nada. Estou portanto completamente alheia do quanto custará uma ida ao futebol.

Sei que o jogo de ontem me custou a módica quantia de vinte e cinco euros. Depois de ter ouvido umas mil vezes do meu filho  que subscrever o canal Benfica TV era o melhor investimento que podíamos fazer cá em casa, porque só custa nove euros e noventa por mês, e porque já podia ver todos os jogos do benfica em casa, além de, pois claro, muito importante, também poder assistir à liga inglesa, não deixando de salientar (mais importante ainda que as duas razões anteriores) termos o privilégio de assistir às fantásticas entrevistas do Carlos Dias da Silva no programa Alta Fidelidade (pronto, esta parte já sou eu que estou a inventar), lá cedi (passo a vida a ceder) e já com os sinais da gripe a infiltrarem-se por mim adentro, cedi também a mandar vir umas pizzas em género, não me chateiem, e não me peçam mais nada, que eu hoje estou capaz de ceder a tudo. 
Para gáudio do miúdo, e para estreia do canal cá em casa, felizmente o Benfica ganhou, a miúda que até é do Sporting, mas que estas coisas do futebol não lhe aquecem nem lhe arrefecem, ficou feliz porque o jantar foi pizza, eu jantei dois ilvico N e adormeci pedrada ainda o jogo ia no adro, e assim, lá marcharam vinte e cinco euros que foi um mimo.

Perguntas difíceis a esta hora.

A minha filha vai ter teste de ciências, amanhã.
Acabou de me perguntar qual a diferença entre o esófago e a traqueia.
A pergunta por si só, já não é um bom prenúncio em relação ao quão preparada ela está para o teste. Mas a mim apeteceu-me responder-lhe que com a gripalhada que eu tenho  hoje, o meu esófago, a minha traqueia, a minha faringe, o meu nariz e os meus ouvidos, podiam juntar-se todos e ir dar uma volta ao bilhar grande. Não lhes fiz mal nenhum para me estarem a castigar desta maneira.

Pronto. Posso nem sempre andar muito agasalhada - quase nunca - mas isso é só um pormenor, e eles já deviam estar habituados. 

E hoje, é isto.

A minha fábrica de ranho está a laborar vinte e quatro horas por dia.
Tem sido um afinco na produção de tal modo eficiente, que não consigo dar vazão ao stock.
De modo que, estou surda que nem uma porta.
É isto.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Em modo de bruxa.


Fui só ali abaixo comprar qualquer coisa para comer, e regressei neste lindo estado. Mas em versão loira.

A importancia das BFF na nossa vida

É sempre bom ter BFF's que se preocupam connosco.
Hoje de manhã, vinha no caminho para o escritório a desabafar com esta minha BFF sobre o martírio que têm sido as minha manhãs nesta ultima semana e meia (desde que o Schumi faz parte deste reino).
Eu que tive duas gravidezes, sem um único enjoo, há nove dias que começo o dia a vomitar. O bicho não tem culpa. Ainda não pode ir à rua e eu é que sou muito sensível nestas questões dos cheiros.
E fico incrivelmente sensibilizada, por saber que esta minha BFF no meio do seu dia atarefado, pensou em mim, e neste  (pequeno) problema com que me tenho debatido. E acabou de me enviar uma mensagem com a solução.



O Factor X no nosso reino

O factor X era o nosso programa de domingo à noite. Nosso, de quinze em quinze dias (já que alternam os fins de semana comigo e com o pai), meu todas as semanas.
A discussão inicial passava sempre pela hora e nunca pelos candidatos. Até que horas poderiam assistir. Passada esta fase em que parecia que estávamos na feira a negociar o preço de uma camisola (coisa para que nunca tive jeito, daí talvez a minha tendência para ceder sempre mais um bocadinho na hora, e eles ficarem na maioria das vezes claramente em vantagem na negociação), passávamos à fase dos favoritos no programa.
Eu que sou um coração mole, gostava de todos.
A princesa gostava muito dos Aurora. Nunca cheguei a perceber se pela performance musical, ou por serem giros como tudo.
O príncipe de início tinha uma predileção pelo Berg porque ainda estávamos na fase das audições, quando nos cruzámos com ele numa bomba de gasolina. Eu ia leva-lo a ele e a um amiguinho ao treino de futebol e o Berg viu-os equipados e meteu conversa com eles. Foi o fascínio. Desde essa tarde, viveu na ilusão de que  um dia o Berg ainda faria referência ao dia em que viu aqueles dois meninos equipados de futebol numa bomba de gasolina. E de cada vez que vamos àquela bomba, ele vai na esperança de o reencontrar.
Com o tempo, começou a dividir-se entre o Berg e o D8. De tal modo, que sabe quase todas as letras de cor e salteado, e passa a vida a trautear o rap do miúdo.
A final do Factor X, via-a sozinha.
Dos três finalistas eu, torcia pelo Berg. Não por o ter encontrado na bomba, e ele ter sido extremamente simpático com o meu filho. Mas talvez pela razão da maioria dos votos na sua vitória. Indiscutivelmente uma excelente voz. Mas a idade, a oportunidade nesta fase da sua vida, o ter dois filhos com idades próximas dos meus, isso pesou no meu voto. E o facto de achar que a Mariana com a idade que tem e todo aquele talento, terá oportunidade de singrar também. Assim como o D8.
Ontem fizemos o rescaldo. E sem ter-lhes dito o que pensava, a minha filha disse-me exatamente o mesmo.  Ele manifestou-se contente com a vitória do Berg sem fazer grandes comentários.  
E quando eu estava já a arrumar a cozinha e ele estava no sofá, com a televisão ligada, mas de ipad na mão, a decorar as letras do rapper, deu um grito mãe anda cá rápido! O Berg está a falar! E lá estava o Berg no jornal da noite, a fazer o rescaldo da vitória. E não sei se ele ficou desiludido, mas ainda não foi desta que ele falou nos meninos da bomba de gasolina...