sábado, 8 de fevereiro de 2014

Não há direito.

E quando tu tens finalmente a boa notícia que o jogo do teu filho este sábado é ao meio dia. Porque desde que o campeonato começou têm sido sempre às nove, o que implica lá estar às oito, o que implica acordar às sete. O que implica que eu amaldiçoe todos os sábados, os organizadores daquela brincadeira, sádicos d'um raio. 
E quando é finalmente ao meio dia, tu acordas naturalmente às sete. 
E pensas que afinal a sádica és tu.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Rédea curta e o intermédio de ontem


E apesar de eles saberem o quanto eu prezo a minha privacidade PRINCIPALMENTE no que concerne à questão dos sólidos, foi aqui mesmo neste local, que a minha princesa me mostrou o enunciado do teste intermédio de língua portuguesa que fez ontem.
E foi aqui mesmo que li a poesia de Eugénio de Andrade que tinha de ser interpretada no teste:

 Agora as palavras
 
Obedecem-me agora muito menos,
as palavras. A propósito
de nada resmungam, não fazem
caso do que lhes digo,
não respeitam a minha idade.
Provavelmente fartaram-se da rédea,
não me perdoam
a mão rigorosa, a indiferença
pelo fogo-de-artifício.
Eu gosto delas, nunca tive outra
paixão, e elas durante muitos anos
também gostaram de mim: dançavam
à minha roda quando as encontrava.
Com elas fazia o lume,
sustentava os meus dias, mas agora
estão ariscas, escapam-se por entre
as mãos, arreganham os dentes
se tento retê-las. Ou será que
já só procuro as mais encabritadas?

Quis saber como o interpretava eu.
Naquele momento só me ocorreu dizer que se as palavras não obedecem ao poeta, a mim deixam-me de obedecer os intestinos, quando me interrompem a questão.
 
Depois também fiquei a saber que não sabia o significado da palavra rédea.
Rédea curta, é o que ela vai ter, agora que se aproximam os quinze anos a passos largos. Rédea muito curta.
 
 
 
 

Eu devia ter sido praxada!

As praxes.
No outro dia ouvia uma miúda universitária a defender esta bela prática que são as praxes. A melhor maneira de receber os recém chegados. A melhor maneira de os integrar. A melhor maneira de eles perceberem o quão difícil é a vida, e o percurso académico. A melhor maneira... é com praxes.
O rastejar uns quantos metros, até alcançar um copo de água por exemplo, era o simbolizar do esforço que teriam de fazer para terminar o curso.
 
Trabalho desde os dezassete anos.
Fui para a universidade com vinte.
Trabalhava de dia. O dia todo.
Estudava à noite.
Não fui praxada assim como nenhum dos meus colegas.
Na verdade, nem tinhamos tempo para pensar nessas merdas.

Não terminei o curso.
Fiquei-me pelo terceiro ano.
Está explicado. Não fui praxada. Não rastejei em direção a nada.
Não teve a nada a ver com o facto de ter de optar entre o curso e o trabalho, porque tinha acabado de nascer a minha princesa, e com uma bebé recém nascida, era impossível conciliar tudo.
Afinal foi por isto. Este pessoal é que tem razão. Eu devia ter sido praxada e não fui.
 
 
Filhota, tu que lês o meu blog, ignora o palavrão. Sabes que a mãe nunca os verbaliza. Mas esta coisa das praxes tira-me do sério. Por favor, nunca te sujeites a isto. Nem que para isso tenhas que os mandar para um palavrão gigante. Aí, não faz mal.
 

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Está explicado.

Eu disse que estávamos a fazer algo de errado com o Schumi.
O bicho vinha ensinado a fazer as suas necessidades fisiológicas em cima da fralda, e até levar a última vacina e poder larga-las na rua, o fazer em cima duma fralda, que se enrola e espeta no lixo, era um descanso.
Acontece que dois dias depois, começou a fazer fora da fralda. Um drama para mim, que tenho aversão a cheiros (maus cheiros), e começo de imediato aos vómitos.
Acho que descobri o erro.
Coloquei-lhe a fralda ao lado da cama, e o gajo ia defecar uns dois metros mais à frente, fora da dita.
Ontem decidi colocar a fralda, no local onde ele teimava fazer (os tais dois metros à frente).
Parece que deu resultado.
A conclusão a que cheguei: Eu quis dar-lhe uma suíte. Casa de banho mesmo junto ao quarto.
Ele deve ter achado que eu era maluca, porque se eu não aguento o cheiro, como é quero que ele o aguente enquanto dorme?
E ainda bem que ele pensa assim. Porque daqui a uma semana vou ensinar-lhe que o WC dentro de casa, para ele acabou.

A teoria do príncipe cá do sítio relativamente a esta questão:
- Ele não fazia na fralda, porque quando sai da cama vem tão estremunhado com sono, que não acerta no sítio.

Pronto, agora já sei porque é que ele também não acerta na sanita, quando faz o seu primeiro chichi da manhã... Está explicado...


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Estamos a fazer alguma coisa errada. Estamos de certeza.

E estávamos tão, mas tão felizes com a vinda do Schumi para esta família...
E ele vinha tão, mas tão bem ensinado a fazer xixi e cocó em cima da fralda...
E nós elogiámos tanto a inteligência do bicho...
E agora, a  minha felicidade é intercalada com uns quantos vómitos de cada vez que o bicho resolve fazer cocó fora da fralda, um cocó mole, e mal cheiroso (muito, mas mesmo muito mal cheiroso).
E é assim, desde ontem, que começo as minhas manhãs.
Estamos a fazer alguma coisa errada.
Estamos de certeza.
E eu tenho de descobrir rapidamente onde está o erro.
Antes que se me soltem as entranhas pela boca...

As coisas que escapam a uma pessoa, quando uma pessoa anda a mil...


Uma pessoa começa o dia às seis e meia da manhã, a preparar os almoços para os miúdos levarem para a escola, sai de casa a correr, porque a mais velha tem teste de história e se chegar mais cedo o stôr deixa começar a fazer o dito, mesmo antes do toque de entrada, apanha um trânsito infernal até chegar ao escritório, despacha o que tem a despachar, combina com uma amiga almoço para daí a bocado, continua a despachar o que tem a despachar, recebe uma mensagem da amiga a avisar que está cheia de fome, e está grávida, e por isso, não pode haver atrasos na hora combinada, tenta despachar o que tem a despachar, antes que a amiga desmaie por culpa do despache que não  está despachado, e sai a correr sem guarda chuva, porque não se lembrou de olhar para a janela, e ver que não chove, mas parece que está mesmo, mesmo quase a começar a chover, mas não volta para trás, e pensa, que se lixe o cabelo, ela não pode é desmaiar porque está grávida e eu já estou atrasada. E uma pessoa lá vai, e em vez de ir de carro resolve ir de metro, que entre perder tempo no trânsito, e procurar lugar, mais vale o comboio subterrâneo, que é rápido, e mais barato. E chega à saída do metro, e olha esbaforida para todo o lado, à procura da amiga que não está ali, mas era ali o combinado, e olha melhor não vá ela ter desmaiado ali, num canto qualquer, e liga à amiga, e afinal a amiga ainda está refastelada no seu local de trabalho, com voz de quem vai tudo, menos desmaiar, e ainda se mostra espantada com a rapidez com que uma pessoa chegou. 
E uma pessoa ainda fica à espera da amiga, que lá chega, e lá vamos, e para castigo a obrigo a almoçar numa esplanada, porque me apetece descontrair e fumar, apesar de estar mesmo com ar de que vai começar a chover. E almoçamos, e falamos disto e daquilo, e vamos embora no momento em que começa a chover, e  lá vai uma pessoa a correr, esbaforida e irritada porque o cabelo está a ficar cheio de jeitos e de manhã lhe tinha dado com a prancha. E uma pessoa chega ao escritório, a modos que molhada, e continua a despachar o que tem a despachar, não sem antes ligar a combinar quem pode ir buscar os miúdos à escola, porque tem uma consulta as seis e meia da tarde, o que lhe trama o resto do dia por completo. E uma pessoa sai do escritório para ir à consulta, e não só está  a chover, como está a chover mesmo à brava, o que complica o raio do trânsito, e começa a praguejar, porque é bem capaz de chegar atrasada à consulta, o que ainda lhe vai tramar mais o resto do dia. E uma pessoa chega lá, e não tem lugar para estacionar, e dá duas voltas ao quarteirão, e quando finalmente chega esbaforida ao consultório, apenas sete minutos atrasada,e com o cabelo em modo de bruxa, descobre que ainda tem duas pessoas à frente. E uma pessoa senta-se resignada na sala de espera e suspira, e espera. E enquanto espera liga para a filha para saber como correu o teste, e dá indicações precisas do que há para jantar, caso a coisa se atrase mesmo muito. E pensa que foi boa ideia, ter feito jantar no dia anterior a contar com o dia de hoje, porque atrasos acontecem. Principalmente quando chove. E pensa na velha máxima, mulher prevenida vale por duas, e uma pessoa nesse momento sente-se a valer por duas, porque mesmo que a coisa se atrase, os miúdos fome não passam.
E uma pessoa vai à consulta, sai de lá esbaforida, e lembra-se que convidou a vizinha para beber um chá a seguir ao jantar, para conhecer o Schumi, mas que não há tempo para fazer o bolo que tinha pensado, e por isso, uma pessoa ainda entra numa pastelaria e compra um saco de bolachas de manteiga caseiras, que custam a módica quantia de oito euros. Uma pessoa pensa na roubalheira que aquilo é, lembra-se que está na guerra junqueiro, e que ainda tem um longo caminho a percorrer, e que são oito da noite, e que se lixem os oito euros, porque não há tempo para procurar opções mais econômicas, nem tão pouco fazer o bolo. E chove a cântaros, e uma pessoa chega a casa, enfia um bocado de empadão pela boca abaixo, antes que a vizinha chegue, e tenta perceber como correu o dia aos miúdos, e faz uma meia festa às boas notas que o miúdo recebeu hoje, e entretanto chega a vizinha. E uma pessoa mostra o Schumi, tão querido e fofo, e lindo, e bebe o chá, e come umas quantas areias que a vizinha trouxe, muito melhores que as bolachas de manteiga, e de certeza mais baratas, e despede-se da vizinha, e deita o miúdo, que entretanto já dorme no sofá, e ralha com a miúda que está pronta para as biscas, e dormir não é com ela, e quando finalmente, uma pessoa se senta em frente ao computador, vê as novidades.
E uma pessoa pensa no quanto anda a mil, e naquilo que lhe escapa ao longo do dia...
Bolas... Todos os meus amigos facebookianos a mostrar orgulhosamente "aqui está o meu filme do facebook. Encontra o teu", e eu não encontrei o meu. Escapou-me esse grande acontecimento do dia. E bolas... O Pedro Teixeira e a Claudia Vieira separados? E nem uma alminha caridosa me ligou a avisar?

Facebook agência de namoros???

Eu tenho facebook desde que a minha filha tem facebook.
Fi-lo para poder perceber o funcionamento, as regras, e acima de tudo estar atenta. Muito atenta (ou minimamente atenta...)

Confesso que achei piada ao facto de ter encontrado por lá, algumas pessoas a quem tinha perdido o rasto há anos, e muito embora  esse reencontro virtual não se tenha traduzido em nenhum dos casos num reencontro físico, foi  e é engraçado poder rever pelo menos em foto, algumas pessoas que em determinada altura da minha vida, estiveram e fizeram parte da mesma.

Tenho um defeito péssimo. O meu cérebro apaga muito facilmente o nome das pessoas que já não vejo nem falo há mais de x anos (este x é relativo, depende do grau de conhecimento e contacto com a determinada pessoa). E por vezes, apaga mesmo a pessoa em questão. Não é por mal. Mas é assim. Defeito de fabrico.  Por esta razão, é frequente passar pela vergonha (e por mal educada), quando alguém me reconhece efusivamente “olááá!!! ‘tás boa???”, e eu (que não tenho feitio para fingir que reconheci), faço aquela cara de enjoada e desbronco-me na hora “desculpa…mas não estou a ver…”.

Ora no facebook mais facilmente isso acontece.  Recebo um pedido de amizade (e só aceito quem conheço), olho para a foto, olho para o nome, e se não me diz absolutamente nada, elimino e nem ligo. Mas se me suscita alguma dúvida, e se por acaso temos amigos em comum, assim com muito jeitinho, escrevo uma mensagem privada, e digo que , bem pela foto não estou a ver bem quem é, e blá blá…

Hoje, recebi um pedido de amizade. Olhei para a foto, e percebi de imediato que não conhecia a figura. Mas tínhamos uma amiga em comum. Uma colega da faculdade que já não vejo há uns quinze anos. Por via das dúvidas, resolvi dar uma espreitadela nas fotos (todas públicas).

Uma figura do sexo masculino. As ilações que tirei da referida figura, pela demonstração das fotos:

- Passa horas no ginásio - tem dezenas de fotos da sua pessoa, e todas, mesmo todas, (mas é que mesmo TODAS, hein?) na praia, numa clara exibição da sua exercitada musculatura.

- Gosta de cães -tem dezenas de fotos do seu Rottweiler.

-Gostaria de ter feito, ou fez, ou está a pensar fazer, ou está a tentar fazer, um curso de modelo fotográfico - as poses são dignas de um catálogo da calvin kline.

- Faz Surf - ou pelo menos parece, ou quer fazer parecer (a distancia da figura na captação da imagem é substancial, o que não dá para ver bem a cara).

-Gosta de vinho e bejecas - o que se subentende que apesar do ar saudável, e da prática do desporto, também sabe ser um ganda maluco.

- Deve ser um solitário - porque em centenas de fotos, além do cão, só há mesmo… a figura.

- Por fim, também é brincalhão, e põe a língua de fora - numa clara demonstração de que está amestrado.

Posto isto, e tendo a certeza que desta vez o meu cérebro não me está a trair, e não conheço mesmo a figura, chego à conclusão que para algumas pessoas (quero acreditar que uma pequenina percentagem) o facebook deve ser mesmo uma agência de namoros , como diz Miguel Sousa Tavares. Parece-me ser o caso... desta figura.

Pedido de amizade…eliminado.