sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Sabes que estás a ficar (mais) velha... II

Sabes que estás a ficar (mais) velha, quando não vais fazer nuances (ou madeixas, nunca percebi a diferença, mas também nunca me debrucei por perceber) há mais de três meses , e a tua raiz castanho avelã te mostra, que afinal, no meio desses milhares de cabelos castanhos que povoam a tua nuca, há dois novos seres, brancos! 

Sim, sabes que estás a ficar (mais) velha, quando isto te salta à vista. Ali estão eles. São dois. Não têm mais de sete centímetros (o que significa que apesar de o meu cabelo crescer a um ritmo considerável,  eles já cá estão há pelo menos três meses - e eu NUNCA os tinha visto!), são bastante mais encorpados que os outros cabelos, que primam pela sua finura, e de tão encorpados que são (entenda-se grossos, mesmo), estão completamente espetados no ar.
E são dois. Pelo menos, no meu campo de visão.
Quer-se dizer, eram dois! Já os arranquei. 
Não eram bem vindos. Não os convidei. Não os mandei entrar, nem tão pouco ficar. 
Por isso, vão à vida deles, vão povoar outras cabeças que não a minha. 
Eu estou bem assim. E ainda não entrei nos entas, não senhora. Os gajos devem ter-se enganado. 
E também não acredito nessa treta de que arrancas um, e nascem sete. Não acredito.
Mas... assim com'á assim, é melhor ir marcar o raio das nuances. Caso a profecia se dê, a coisa sempre está mais disfarçada...

E eu que até achava que nem andava a fazer má figura com esta raiz enorme, porque até dava um certo ar de californianas, e andava a poupar uma pipa de massa...

Decisão tomada. Mais um membro para este reino!

Decisão tomada.
Após reunião familiar, a decisão está tomada.
Vamos ter um novo cão/cadela (o sexo vai depender da disponibilidade).
Depois da morte da J., os príncipes lá do reino entraram em discordância quanto à introdução de um novo membro na família.
Ele, claramente queria JÁ, embora se debatesse com a questão do sentimento que a J. teria relativamente a ele, agora que estava no céu, e o visse feliz junto de outro animal. Será que ela vai pensar que a estou a substituir?
Descansei-o em relação a essa dualidade de sentimentos que pairavam naquela cabeça/coração. Por isso, para ele, decisão tomada. E era JÁ.
Ela, claramente queria, mas só daqui a algum tempo. Achava que devíamos estar algum tempo a fazer o luto, e depois sim, poderíamos pensar no assunto.
Uma semana volvida, e após reunião familiar, chegámos todos à conclusão, que a casa nos parece demasiado vazia.
Breve discussão sobre a raça. Muito breve, porque todos concordámos que nos vamos manter fiéis, apesar das várias investidas de familiares e amigos sobre as mais diversas raças.
Breve discussão sobre o sexo. Sempre tivemos meninas, mas a ansia é tal, que já percebi que é mais ou menos o que houver... 
Este fim de semana vamos em busca do nosso futuro companheiro/a.
A real discussão vem a seguir. Que nome dar?
Aceito sugestões...

Limpezas no meu carro, não. Obrigada.


Sou um bocado picuínhas com a casa, a limpeza e a arrumação. Não sou doente nem maníaca com isto, mas gosto de ter tudo no devido lugar, gosto de coisas limpas, e não consigo por exemplo esticar-me  a ver um filme, se a sala não estiver arrumada. Quem está próximo de mim sabe disto, e não raras vezes me chateio com quem está próximo (as minhas crias, pois claro) por ter encontrado um par de meias sujas entre as almofadas do sofá, a toalha do banho caída junto ao bidé, ou mesmo roupa suja misturada com roupa lavada, assim a modos que feira de domingo, dentro do roupeiro da princesa (claramente, a maneira mais rápida de arrumar um quarto, quando a mãe solta um grito ultimato).

Não sou no entanto, absolutamente nada picuínhas com o meu carro. Nunca fui. Ao contrário da minha casa, o meu carro espelha o que de mais porco e javardo pode haver. Pode parecer um paradoxo, já que devo passar tantas horas lá dentro, quantas passo esticada no meu sofá…

Mas ter um carro assim, dá sempre jeito. Encontram-se as coisas mais incríveis, mas que podem a qualquer momento dar jeito. Um chapéu de chuva, com duas ou três varetas partidas, mas que abriga daqueles chuviscos imprevistos, um casaco enrolado e sujo que ficou esquecido há meses, mas que serve para agasalhar no momento em que te apercebes que o teu filho voltou a esquecer-se do dele na escola, uma garrafa de água a cheirar a bafio, mas que num momento de secura eu bebo sem pestanejar (e sem respirar), e muitos, muitos lenços de papel ranhosos, e secos, e acima de tudo reutilizáveis.

Para quem sofre de renite alérgica, e para quem, como eu, se esquece sempre de trazer um macinho de lenços novo na carteira, ter um carro assim, é um luxo. É por isso dramático, quando ponho o carro para lavar. Que nem foi o caso de hoje (não é limpo e lavado há mais de um ano, e digo-o sem qualquer tipo de vergonha ou constrangimento). Mas ontem, emprestei o carro a um colega de trabalho, e quando ele voltou, disse-me com aquele ar com que eu digo à minha filha, estive a dar um jeito no teu quarto, estive a dar um jeito no seu carro…Seguido de, aquilo precisava de uma aspiradela .

Ora a aspiradela (coisa que ele não fez), até dava jeito. Ter-me despejado as portas de todo o lixo que lá se encontrava, é que foi o fim… Hoje, enquanto percorria os 20 km que separam a minha casa do meu escritório, coisa que com trânsito faço em 45 min, deu-me um daqueles ataques de espirros (quiçá pelo pó acumulado no habitáculo), e eis que… nem um! Nem um lencinho sobrevivente àquela limpeza alheia à minha vontade. Foi o desespero.

A solução foi o talão da portagem, acabadinha de pagar. Rijo como tudo. Não limpa grande coisa. Nada aconselhável, portanto.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Quando tu pensas que a fase dos porquês já passou...

Quando tu pensas que a idade dos porquês já acabou, e és invadida por uma avalanche de perguntas...

(a propósito da morte da nossa cadelinha, a J.)

Príncipe:
1- Mãe, achas que a J. ficava muito triste se nós tivéssemos já outro cão?
2- Achas que ela está no céu?
3- Achas que o tamanho do céu é infinito?
4-Tem de ser infinito não tem?
5- Se não, como é que os milhões de pessoas que já morreram, e os milhões de animais, cabiam lá?
6- Se as pessoas depois se reencontram todas no céu , porque é que ficam tão tristes quando morrem?

Tudo assim, seguidinho. De rajada.

Onde é que está o manual, que eu já não estava habituada a isto....

O nosso reino ficou mais pobre...


O nosso reino ficou mais pobre.
Há uns dias perdemos o nosso animal de estimação. A nossa J.
Estava connosco há já dez anos. 
Sei que a princesa a adorava, mas o príncipe tinha uma verdadeira loucura por ela.  
Sabia por isso, o desgosto que ia ser num momento destes, até porque já tínhamos perdido a nossa B. há um ano atrás, precisamente.
Compreendo que quem não tem animais, não saiba avaliar o  amor e a dedicação que se pode ter por um simples cão, ou um simples gato. Compreendo que quem não tem animais, não saiba avaliar o sofrimento que é, ao vê-los partir.
A J. fazia parte da família.
Os meus filhos choraram muito a sua morte.
O meu filho foi gozado por um colega, por estar a chorar por um cão.
O meu filho foi gozado por um professor por estar a chorar por um cão.  ("se fosse por um avô ou por uma avó, até compreendia...  - disse ele).
Eu é que não compreendo. Não compreendo mesmo.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Alguém sabe como alimentar (calar) o Pou????

Não jogo jogos. Ponto.
Apesar de ser invadida com dezenas de convites diários dos meus vários amigos do face. Fulano tal convidou-te para jogares Solitaire Arena, fulano tal convidou-te para jogares Candy Crush, e por aí fora. Não jogo. Ponto. Nem vale a pena enviarem-me os convites, que eu não tenho tempo nem paciência para essas tretas.
Quem olha para o meu telemóvel no entanto, deve pensar que eu sou uma jogadora nata. Tenho o ecrã cheio de ícones de jogos, tudo coisas que o meu filho me instala, e que me rebenta com a bateria em três tempos, mas que eu, vou deixando.
Pois que este fim de semana, nasceu um novo ser no meu telemóvel, de seu nome Pou. O Pou parece-me ser uma nova versão dos tempos modernos, do velhinho tamagochi. Parece-me. Não perguntei ainda ao entendido na matéria, que a esta hora está na escola. Parece-me, porque o bicho já se fartou de fazer ruídos estranhos, seguidos da clara informação no meu ecrã : Pou is hungry.
Acontece que acabou de fazer este ruído mesmo no meio de uma reunião, com um daqueles clientes cheios de nove horas. E a coisa assemelha-se mais ou menos a um arroto, quiçá mesmo um pum. Constrangedor portanto. Muito constrangedor.
Não sei como calar o bicho. Não sei tão pouco como alimentá-lo para que o cale.
Pode ser que até logo, morra à fome.
Há esperança.


terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Ninguém disse que era fácil ...

Foi há um ano e dois meses que me separei. Foi uma decisão difícil, acima de tudo pelos miúdos. E principalmente, porque não havia mau ambiente em casa, discussões, ou algo que os pudesse levar a pensar que os pais poderiam tomar este tipo de atitude. Sabia que iria ser um choque para eles, e isso, acima de tudo fazia-me sofrer.
 
Julgo que soubemos conduzir o processo da melhor forma, e dado o facto de mantermos uma excelente relação, tem ajudado no equilíbrio deles, assim como no nosso (e se nós estivermos equilibrados, é meio caminho andado para eles estarem também).
 
Ele é, e sempre foi um excelente pai, e continua a estar presente quase diariamente na vida dos filhos. No entanto, há horas em que me sinto cansada. Ninguém disse que era fácil, e de facto não é.
Na hora de tomar decisões sobre qualquer assunto relacionado com eles, conversamos os dois, decidimos os dois.
No entanto há (muitas) horas, em que isso não acontece, por serem coisas de rotina, do dia a dia ...
Às vezes sinto que posso estar a ser muito tolerante, outras vezes sinto que posso estar a ser rígida demais. Às vezes sinto que me foge o meio termo e é nesse meio termo que sinto falta de apoio.
Às vezes sinto que não dou a atenção devida, porque chegamos a casa, e entre banhos, jantar e afins, chegou a hora de dormir. E depois há os dias em que chegamos, e saímos a correr, porque há o futebol dele, e a explicação dela, e depois o jantar, e um TPC a correr para não levar falta de material, e depois, a hora de dormir. Sendo que, a hora de dormir, não é de todo a aconselhável a duas crianças... 
 
A hora de deitar é um dos exemplos em que sei que estou a falhar por tolerância a mais... Todos os dias, quando o ponteiro passa já a passos largos das onze da noite, e depois de ter ordenado mais de trinta vezes para se deitarem, levanto a voz, gesticulo, solto a frase já rotineira "amanhã ás 9.30 estão na cama!!!", e no dia seguinte a situação repete-se.
Sinto que tenho de fazer um esforço, porque sei que no tempo em que o rei pai estava em casa, isto não acontecia. E nestas alturas penso logo numa daquelas frases celebres da minha mãe "a voz de um homem faz muita falta numa casa...".
 
Hoje vou tentar que hora da "deita" seja mais cedo do que o habitual, sem voz grossa e sem braços no ar. Vou tentar.
Ninguém disse que era fácil. Não é. Mas eu sou capaz...